IBM e o Holocausto
Edwin Black
Hist&oaccute;ria 624 páginas
Apenas depois da identificação dos judeus -- tarefa gigantesca e complexa que Hitler queria que fosse realizada de imediato -- foi possível segregá-los para rápido confisco de seus bens, isolamento em guetos, deportação, trabalho escravo e, finalmente, aniquilação. Os desafios do projeto, em termos de tabulação cruzada e de recursos organizacionais, eram tão monumentais que exigiam a utilização de computador. Evidentemente, na década de 1930, ainda não havia computador.
Mas já existia a tecnologia Hollerith de cartões perfurados da IBM. Com a ajuda dos sistemas Hollerith da IBM, adaptados às necessidades dos clientes e sob constante atualização, Hitler foi capaz de automatizar a perseguição aos judeus. Os historiadores sempre se espantaram com a velocidade e precisão com que os nazistas conseguiam identificar os judeus europeus. Até hoje, as peças do quebra-cabeça ainda não foram totalmente encaixadas. O fato é que a tecnologia da IBM organizou quase tudo na Alemanha e, em seguida, na Europa Nazista, abrangendo a identificação censitária dos judeus, os processos de registro, os programas de rastreamento de ancestrais, o gerenciamento de ferrovias e a organização do trabalho escravo em campos de concentração.
IBM e o Holocausto conduz o leitor ao longo da complexa trama de conluio entre a empresa e o Terceiro Reich e destrincha a escamoteação estruturada de todo o processo, entremeada de acordos verbais, cartas sem data e intermediários em Genebra -- tudo empreendido enquanto os jornais reverberavam relatos de perseguição e destruição. Igualmente arrebatador é o drama humano de uma das mentes mais brilhantes de nosso século, o fundador da IBM, o Sr. Thomas Watson, que cooperou com os nazistas por amor ao lucro.
Somente pela assistência tecnológica da IBM Hitler foi capaz de atingir os números assombrosos do Holocausto. Edwin Black agora desvendou um dos últimos grandes mistérios do Holocausto: Como Hitler conseguiu os nomes?
Edwin Black
conferiu uma nova e extraordinária dimensão à
história do Holocausto. Evidentemente, a
destruição da vida de seis milhões de judeus e de
uma quantidade incontável de não judeus não
teria sido possível sem as máquinas Hollerith da IBM.
Tampouco o Terceiro Reich teria aperfeiçoado a
arregimentação dos judeus em toda a Europa, a
deportação deles para os campos de
concentração e as estatísticas que avaliavam a
agonia das vítimas durante a Solução Final sem
os equipamentos IBM, programados sob medida para os clientes.
Essas revelações já são em si
desconcertantes, mas Black desenvolve uma história
monumental, que vai além desse terrível deslinde.
Ele descobriu o enorme poder corruptor de uma empresa
internacional. "O negócio da IBM nunca foi nazismo. Nunca
foi anti-semitismo. Sempre foi dinheiro", escreveu Black.
Filho de sobreviventes poloneses, o escritor Edwin Black, residente em Washington, é autor de premiada investigação sobre as finanças do Holocausto, The Transfer Agreement, e especialista em relações comerciais com o Terceiro Reich.