História de Florença
Nicolau Maquiavel
História 431 páginas
Tradução e notas de Nelson Canabarro
Inesquecível é o ambiente. Quem olha do alto da colina de San Miniato para Florença, a paisagem dominada pela cúpula de Brunelleschi, ainda hoje sente o hálito da vida da Renascença. A cidade de Lorenzo de’ Medici, Poliziano e Pulci, de Boticelli, Ghiberti e Donatello e Michelangelo – os italianos chamam-na de città della vita. Não é, como acreditam os turistas apressados, um museu. Todos os grandes italianos do século XX começaram em Florença: do futurismo, nas mesas do Café Giubbe Rosse, até o movimento socialista, cujos inícios evocou, no romance Metello, o florentino Pratolini. Sobretudo a história do pensamento de Maquiavel ainda não acabou: é a história de toda a teoria política até hoje. Na cidade de Dante também nasceram a física de Galilei e a técnica da contabilidade. É o berço do mundo moderno.
Otto Maria Carpeaux, Inteligência de Maquiavel,
in Livros na Mesa, Rio de Janeiro, Livraria São José, 1960.
A primeira edição da História de Florença, de Maquiavel, editada pela Musa Editora, logo esgotou-se. Dizia-se que seriam vendidos da tiragem de 2.000 apenas 200 exemplares. Em muito menos de um anos vendeu-se toda a tiragem.
Após uma certa demora, a Musa está lançando a 2ªedição, aumentada de um índice onomástico, e trazendo para o início da obra o Sumário ou Índice da matéria, elaborado pelo tradutor Nelson Canabarro. Os títulos deste Sumário foram acrescentados a cada capítulo da obra, que Maquiavel apenas numerou. Uma maneira de o leitor se localizar na grande obra que narra a história da cidade de Florença remontando à Queda do Império Romano, com a invasão dos bárbaros, até o apogeu dos Medici no Quatrocento.
Segundo a Revista Veja, na brava matéria escrita por Mario Sabino, em História de Florença, o genial Maquiavel redescobre sua cidade natal em ritmo de romance épico russo.
Nada do que se pode revelar ao leitor a real dimensão da obra que cada um deve descobrir com a sua própria leitura. Ali a genialidade de Maquiavel se faz presente e sacode o leitor, dentro de um cardápio em que se incluem fatos históricos, reflexões políticas, questões jurídicas, jovens talentosos de então, gosto pela literatura, o exílio de Dante, o surgimento das línguas modernas, os crimes políticos, a corrupção, o poder dos Papas, e um estadista poeta, Lourenço, o Magnífico, Lorenzo de Medici etc.
Todos precisam saber que a História de Florença está de volta às livrarias. Obra para políticos realmente políticos, juristas e advogados, historiadores e estudantes, para todo o público. Um dos livros eternos, pela primeira vez traduzido no Brasil, por uma pequena editora, que não acredita em adaptações dedezássicos, mas na sua leitura democratizada.