Musa
proposta de Editora como ser vivo
Casa, nunca
fábrica (cruel linha de montagem)
Livros como seres vivos
Abominação a esta perversão
da linguagem que tudo assola, rotula toda a criação
como "produto", este aspirar ao "competitivo" e
ao "agressivo", tudo repetitivo. Musa busca a identidade.
Parte do todo, mas empresa única, entre editoras e os bons
nomes de tantas, Musa Editora. Pequena, tem mentalidade de
grande, faltando muito para ser grande, uma grande pequena editora,
pretende-se.
Pressões externas existem, mas resistir
a elas é o cotidiano aprendizado, luta de facas. Não
desfigurar-se, a despeito. Ascensões e quedas. Brilhos e
opacidades. É a Musa tentando crescer. Nestes tempos, hoje,
sobreviver. Senos mostramos, recebemos acolhidas. Os melhores
livreiros nos acolhem. Outros, livreiros que não são
livreiros (há muitos instalados), desconfiam: "Os
professores ainda não indicaram." Livreiro que é
livreiro também indica, como formador de opinião que
deve ser. Qualquer sapateiro mostra a novidade ao seu cliente, por
que o livreiro não mais? São estes falsos livreiros.
Precisamos ressuscitar os verdadeiros livreiros, não estes, que
só trabalham para os colégios, na indústria da
adoção. Livreiro forma leitores na cidade, aqueles que
compram por si mesmos. Este é também o papel do
professor, capacidade de encaminhar o estudante para a escolha de
outros livros, além do único que indica. Apesar das
poucas exceções, vivemos uma indigência
generalizada, porque a mentalidade vigente é mortal para a
democratização dos bons livros.
A Musa se
sente responsável e ao mesmo tempo faz seu ato de
contrição todos os dias, pois não consegue ser
perfeita. Apenas uma Editora a buscar sua identidade, sem precisar
ficar editando livrinhos, coisas de sobra. Livrinhos todos degustam,
sem apetite para a Ceia da Literatura. A Musa quer servir a Ceia, sem
discriminação de convidados. Nas
comemorações dos 500 anos quer servir a Ceia da
Literatura Brasileira nas Escolas. Poucos professores aceitam.
Livreiros nunca deixam: "Quem indicou?" A Musa Editora.
Editoras também indicam. Não é somente o
mercado quem dita. A burrice do mercado. O demônio do
mercado, o direito de parafrasear o saudoso Helio Pellegrino. Toda
ditadura é burra, a do mercado mais burra ainda, corta
cabeças da Cultura. Carrascos em toda parte, os pequenos
carrascos mostram-se, torpes figuras. Letalidades em sua
"candura".
Surgiu há pouco um
movimento: "Arte contra a barbárie". Os jornais
deram páginas. A Musa comunga com esse pessoal.
"Livros contra a barbárie." "Bons Livreiros
contra a barbárie". Quem indica? Todos indicam:
editores, livreiros, os próprios leitores, eles também, os
professores.
Livros. Não se conter ao óbvio,
apenas no óbvio acreditar-se. Ao óbvio
"sucesso", celebrado o mercado de auto-ajuda,
contrapor-se com a publicação de Deusas e
Adivinhas: mulher e adivinhação na Roma Antiga, do
historiador espanhol Santiago Montero, tradução de
Nelson Canabarro. A Deusa, a Mulher, a Adivinha pesquisadas a
partir dos textos dos grandes autores latinos e gregos (Virgílio,
Aristóteres, Horácio, Ovídio, Petrônio,
entre outros), sua protagonização na História, na
Literatura, na Sociedade imperial romana, na Política e na
Religião. Detalhes sobre as mais diversas formas de
adivinhação, horóscopos,
interpretação dos sonhos, interesses práticos
nesses mistérios até hoje persistentes. Bom livro
também para o povo.
O editor de uma revista
sobre livros interpretou o papel da Musa Editora como
"idealista", como se insistisse em iguarias pouco
vendáveis. Iguarias são vendáveis. Bom
exemplo, a História de Florença, de Nicolau
Maquiavel, cuja primeira edição esgotou-se em poucos
meses, a despeito de profetizarem ser a história da
"città della vita", berço de Dante, de Galilei e
do próprio Maquiavel, de movimentos artísticos e
políticos, inclusive da técnica da contabilidade, livro
para se vender apenas 200 exemplares.A história da cidade
de Florença "escrita em ritmo de romance épico
russo" (Mário Sabino, revista Veja), que vai da
Queda do Império Romano, com a invasão dos
bárbaros, até o apogeu dos Medici, na
Renascença, encontra-se em segunda edição
bem sucedida. Ler O Príncipe, hoje, no Brasil, se
complementa com a necessária leitura de História
de Florença, uma obra extensa de cunho quinhentista,
onde o gênio de Maquiavel salta da narrativa histórica a
ele encomendada pelo cardeal Júlio de' Medici, que se tomou
o papa Clemente VII. O que a Musa procura é uma forma de
bem mostrá-las, esta e outras obras iguarias neste texto
não citadas. O catálogo mostra-as. E para
divulgá-las conta com a ajuda de todos, numa
formidável aliança de imprensa, livreiros, professores,
distribuidores, governos, sobretudo leitores, o grande público
que se amplia e apura seu gosto, uma responsabilidade de quem
precisa mostrar o que é melhor ao que puder discernir entre
droga e graça.
As novas tecnologias? Estão
a serviço do livro, "a mais avançada das
tecnologias".
Indicar um
livro
É
obrigação de todos: do livreiro, do professor, do frade, da
freira, do sacerdote, do cidadão, do jogador de futebol,do
esportista, do aluno e do mestre, de cada um, minha
obrigação.
Indique um
livro para você mesmo.
Novidade ou fundo de catálogo.
Os livros são
eternos
P or isso se juntam em bibliotecas
Formam-se os
catálogos
Produtos instantâneos não
são livros
Livros são livros
Cada título e
os nomes
O autor e seu nome
Separe um livro
Na Musa ele não se tornou um produto
Livro
Não tenha medo de indicar
Livro
Indique a si
mesmo