As disfunções
biológicas ocultas que alteram o curso de nossas vidas
"De perto ninguém
é normal", já dizia Caetano Veloso. A
inexistência de uma normalidade, constatada por Freud,
é também o ponto de partida de
"Síndromes Silenciosas", de John Ratey e
Catherine Johnson, lançamento de julho da Editora Objetiva. A
complexidade do cérebro humano e a existência de
"falhas" sutis que podem prejudicar a vida das pessoas,
sem que elas tenham conhecimento disso, são o tema deste
livro impactante, cujo objetivo é mostrar que, embora
silenciosas, estas "sombras mentais" costumam causar
grandes danos.
Até
recentemente, qualquer problema emocional tinha uma
explicação psicológica. Os pais acabavam
levando sempre a culpa. As "fraquezas" mentais eram
vistas como falhas de personalidade. O homem que não
consegue falar de seus sentimentos, a mãe que grita com os
filhos num momento e os sufoca de beijos no outro, o pai que tem
terríveis acessos de cólera. Seriam apenas
"tipos" que todos conhecemos, ou haverá algo por
trás disso?
Utilizando as
mais recentes pesquisas da neuropsiquiatria, o psiquiatra John Ratey,
professor da Harvard Medical School, e Catherine Johnson, editora da
revista New Woman, oferecem uma nova
explicação para tais comportamentos. Eles mostram que
alterações mentais quase imperceptíveis - como
uma depressão branda ou um leve autismo - podem ser
superadas quando compreendidas não só como um
conjunto de traços de personalidade, mas também
como um conjunto de traços biológicos. Ao examinarem
o papel da biologia em inúmeros problemas até agora
tidos como simplesmente psicológicos, eles pretendem que
cada um de nós possa usar esse conhecimento "para
conduzir a carruagem, em vez de sermos levados por ela".