—Está livre esta noite? Então venha ao Grand
Café, às nove. Você, que está
sempre espantando os outros com suas coisas, vai ver uma que
é bem capaz de espantar a você mesmo!
Dezembro de 1895. Antoine Lumière convida George
Méliès para conhecer a última
invenção de seus filhos, Auguste e Louis: o
cinematógrafo. Nascia o cinema, a maior
invenção do século. E, consigo, uma
história de magia, paixão. Mais que isso: uma nova
expressão de arte. Um ícone da modernidade.
CINEMA, A INVENÇÃO DO SÉCULO —
mais um volume da coleção Descobertas — é o
resultado de uma minuciosa pesquisa feita pela francesa Emmanuelle
Toulet, e traça a evolução do cinema, dos
primeiros flagrantes das ruas de Paris ao título de
sétima arte.
O século 19, na verdade, foi
só um leve experimento para os que se apaixonaram pela
novidade trazida pelos irmãos Lumière. Em seguida, e
entrando como um furacão pelo século seguinte, uma
série de outras máquinas começaram a surgir na
Europa e na América. De trem, de balão, nas costas dos
cinegrafistas aventureiros, as câmeras partem para explorar o
mundo. Desde o início, no entanto, o cinema provava que
chegara para mudar: em 1896, um operador da Lumière flagra
um terrível acidente, com milhares de vítimas
pisoteadas durante a coroação do czar Nicolau II, em
Petersburgo e não pensa duas vezes: gira a manivela e nascia,
ali, uma nova concepção de jornalismo.
Os
responsáveis pelas primeiras imagens do nosso cotidiano; os
impasses diante das dificuldades impostas pela evolução
das técnicas; os filmes das cirurgias feitas pelo Dr. Doyen — o
primeiro sopro do cinema científico —; a enérgica
mademoiselle Alice, a primeira mulher cineasta. Histórias que
deram sabor à nova arte e que Toulet recria sem perder a aura
de fascínio dos primeiros tempos.
O apêndice
de O CINEMA, INVENÇÃO DO SÉCULO oferece
ao leitor documentos históricos sobre a trajetória dessa
arte: o nascimento do filme publicitário; o primeiro manual de
direção cinematográfica — um artigo escrito por
Georges Méliès, em 1906; as primeiras cenas
eróticas; endereço das organizações que
conservam e projetam os filmes dos primeiros tempos.
Emmanuelle Toulet é curadora do Departamento de Artes
e Espetáculos da Biblioteca Nacional da França, sendo
encarregada das coleções relativas ao cinema.