O menino prodígio que, antes mesmo de completar oito
anos, compunha sonatas perfeitas. A complicada relação
com o pai, Leopold Mozart, grande incentivador do talento do filho,
mas, ao mesmo tempo, ansioso por controlar cada gesto seu. O jovem
irreverente que apreciava comentários escatológicos.
O homem apaixonado que se casou com Constanze Weber
enfrentando a dura objeção paterna. A morte aos 35
anos e o sepultamento inglório. Quanto há de verdade
nessas cenas que surgem à mente quando se evoca a figura
de Wolfgang Amadeus Mozart, considerado um dos maiores
compositores de todos os tempos? Alguma verdade, certamente, mas
também muito de lenda. É o que afirma o
notável biógrafo e historiador Peter Gay neste volume
da coleção "Breves Biografias" dedicado ao
genial criador de Don Giovanni e As Bodas de
Fígaro.
Autor da mais conceituada biografia do
criador da psicanálise, "Freud: uma vida para o nosso
tempo", e da série "A Experiência Burguesa:
de Victoria a Freud", Peter Gay não está
preocupado apenas em desfazer certos mitos sobre Mozart. Seu
empenho maior é mostrar como o excepcional legado da sua
obra, assim como de sua atribulada existência, são por si
fascinantes, prescindindo de lances melodramáticos. É
pouco crível, por exemplo, a hipótese do
envenenamento de Mozart por Salieri, assim como da
premonição da própria morte que o teria levado a
compor o Réquiem, obedecendo a uma misteriosa
encomenda. Gay esclarece episódios como esses,
servindo-se de seu vasto conhecimento da época. Ainda
assim, a figura de Mozart que emerge nessa biografia francamente
realista é a de um homem excepcional em todos os sentidos,
um criador que apontou novas dimensões para a
música, brindando a humanidade com uma obra caudalosa e
de inigualável beleza.