"Você já leu o Zuenir dessa semana?" O
jornalista e escritor Zuenir Ventura nos acostumou, nos últimos
anos, a acompanhá-lo em suas crônicas, à
espera de uma palavra sábia, de sua corajosa lucidez nos
comentários sobre o Brasil e seus desvarios, ou outros temas
envolventes de nosso dia a dia. Às vezes mordaz, outras mais
lírico, inteligente sempre, Zuenir Ventura foi montando, ao
longo destes textos, um retrato do país e de sua gente nestes
tempos ditos pós-modernos. CRÔNICAS DE UM FIM
DE SÉCULO traz seus melhores textos, publicados
originalmente no Jornal do Brasil, O Globo e na
revista Época, entre 1995 e 1999. São farpas do
cotidiano, reflexões instigantes de uma das vozes mais atentas
do país.
O livro começa com os textos mais
pessoais do autor. Zuenir nos conta, por exemplo, do susto que levou
ao ser guiado para uma fila à parte no Detran. Olhou em volta
e procurou com os olhos o velhinho de que falavam: era o
próprio! Na segunda parte, ele nos fala dos tempos e
contratempos pós-modernos: como temos lidado com as
novas tecnologias de comunicação. Em seguida, reflete
sobre esse país que teima em não dar certo _ seus
dramas, impasses e a permanente incompetência
governamental. Zuenir trata ainda do "atribulado mundo dos
seres urbanos" e dos nossos heróis, personagens cheios
de caráter e diferenças de estilo, que revelam nossa
criatividade. Com seu texto saboroso e inteligente, o cronista
compõe um painel em mosaico sobre a virada do século,
com suas pragas e catástrofes, mas também a sua
renitente esperança.
Zuenir Ventura é autor
dos "1968, o Ano que não Terminou", "Cidade
Partida" e "Mal Secreto", primeiro volume da
coleção Plenos Pecados. Atualmente é colunista
semanal de O Globo e da revista Época.