"Qual é a mais importante invenção dos
últimos 2000 anos e por quê?". Em novembro de
1998, o agente literário John Brockman enviou um
questionário com essas perguntas para uma lista de
convidados do site Edge, composto por um
seletíssimo time de pensadores do planeta. Chegaram
e-mails dos mais destacados cientistas, filósofos,
professores, médicos, artistas, físicos, historiadores e
biólogos. A vigorosa e às vezes divertida
discussão eletrônica que veio a seguir transformou-se no
livro AS MAIORES INVENÇÕES DOS
ÚLTIMOS 2000 ANOS, com depoimentos que
possibilitam ao leitor mergulhar em reflexões e pensamentos
originais sobre as mais importantes descobertas da era
cristã.
Richard Dawkins, Howard Gardner, Brian C.
Goodwin, Oliver Morton, Steven Rose, Joseph LeDoux e mais uma
centena de intelectuais refletem sobre a tecnologia dos dois
últimos milênios e conjecturam sobre os rumos que
poderão se apresentar. A pílula anticoncepcional, o
telescópio, a música clássica, a geometria, a
domesticação do cavalo, a imprensa, o relógio, a
aspirina, a anestesia, as redes de computadores, a televisão e
outros tantos inventos figuram na lista. As escolhas se revelam por
vezes óbvias, em outras inusitadas e em algumas
surpreendentes, mas sempre defendidas com muita propriedade pelos
votantes.
Para o cientista cognitivo Steven Pinker, por
exemplo, sem a invenção do alfabeto e da lente, nossa
experiência seria reduzida a quase nada: "O alfabeto,
claro, não é uma invenção do último
milênio, mas esta era testemunhou duas grandes
expansões de seu domínio: a imprensa e a
codificação digital, fundamento da telegrafia e da
computação com base no texto. A lente amplia
igualmente o poder da nossa faculdade de visão no tempo e no
espaço. Sem ela, não haveria telescópio, e
portanto nem concepções de microrganismos,
células, cromossomas, genes ou cérebro. Não
haveria fotografia nem cinema, nem percepção de outros
tempos e lugares, a não ser pela mente de artistas e
escritores", argumenta Pinker.