Uma antologia de obras-primas da
ficção curta
Para Júlio Cortazar,
conto é aquele texto que corre em poucas linhas e em alta
velocidade narrativa, capaz de nocautear o leitor com seu impacto
dramático concentrado. Coube ao professor Ítalo
Moriconi o desafio lançado pela Objetiva de garimpar os cem
melhores textos do gênero produzidos no Brasil ao longo do
século 20. Um trabalho que deixasse de lado os rígidos
critérios acadêmicos e fosse pautado somente pela
qualidade e sabor dessas pequenas obras-primas. O resultado
é a coletânea OS CEM MELHORES CONTOS
BRASILEIROS DO SÉCULO, um passeio pela mais
deliciosa e contundente ficção curta produzida no Brasil
entre 1900 e o fim dos anos 90. Uma antologia capaz de traduzir as
mudanças do país e as inquietações de
várias gerações de brasileiros, em cem anos de
produção literária. A prova de que a arte do
gênero não cessa de melhorar em nossa literatura.
Abrindo o volume, Pai contra mãe, de Machado de
Assis que, por sorte do leitor, ainda estava vivo nos primeiros anos do
século 20 (morreu em 1908). A edição separou os
contos por períodos históricos, precedidos de nota
introdutória apresentando os traços mais
característicos do período: os diferentes caminhos da
literatura no início do século; a
consagração do modernismo nos anos 40 e 50; os
conflitos de identidade dos anos 60; a violência da vida urbana
dos anos 70; a exploração sem censura do corpo dos
anos 80; a criativa irreverência dos anos 90.
Durante o
trabalho de seleção dos contos, Ítalo Moriconi se
deparou com algumas constatações. Entre elas a de que
o Brasil produz um dos mais bem acabados contos do mundo, e que
eles só melhoram com o passar do tempo. Ainda: a partir dos
anos 60, o texto curto explodiu no País, consolidando-se nos
anos 70, que entrou para a história da literatura brasileira como
a década do conto. Nos anos 80, houve um retorno do
romance. Mas é justamente nesta época, ressalta
Moriconi, que saltaram às prateleiras produções
como as de Caio Fernando Abreu e Sérgio Sant`Anna.
Para ilustrar esse instigante e rico panorama, Moriconi escalou
craques: João do Rio, Clarice Lispector, Lima Barreto, Graciliano
Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Dinah Silveira de Queiroz,
J.J.Veiga, Rubem Fonseca, Ana C. César, Otto Lara Resende,
Fernando Sabino, Hilda Hilst, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Lygia
Fagundes Telles, Victor Giudice, João Antônio, Luiz
Fernando Veríssimo, Raduan Nassar e Nélida
Piñon, entre outros.
Ítalo Moriconi é
doutor em Letras e professor de literatura brasileira e comparada da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro.