Ficções Letais de Sérgio
Rodrigues
"Em suas intrigantes e
admiráveis ficções de risco, Sérgio
Rodrigues é um dos novos autores que dão a partida
para uma literatura brasileira do século 21."
Sérgio Sant’Anna
O HOMEM QUE MATOU O ESCRITOR é
a estréia do jornalista Sérgio Rodrigues na literatura. E,
se todas as histórias do mundo já foram escritas,
é hora, então, de matar o escritor, redistribuir as cartas e
reiniciar o jogo. Sérgio tomou a iniciativa. Com a ajuda de um
computador, disparou cinco contos em direção ao
"criador", deu fim ao escritor e fez brotar criaturas. Nesse
jogo de espelhos passeiam histórias que sugerem a nova
tendência literária do século 21: vertiginosa como
a vida urbana; afiada como uma memória RAM; reflexiva,
como esses dias de cão; chula e erudita, dominando todas as
situações; humorada, porque sem a graça a vida
é muito chata.
Como definiu
José Roberto Torero, os contos de Sérgio Rodrigues
lembram um sanduichão. "São modernos, ligeiros,
breves, mas alimentam, misturam ingredientes inesperados e,
principalmente, depois dá vontade de comer, digo, ler
outro". Como gênero, O HOMEM QUE MATOU O
ESCRITOR poderia ser considerado um híbrido: policial,
metalingüístico, drama, comédia e farsa. Sua
lógica interna, no entanto, é rigorosa. Fruto de um
exercício narrativo elaborado à perfeição,
o resultado é requintado.
A
narrativa brinca com o leitor, levando-o de um extremo ao outro
tão rápido quanto a distância do ponto ao
parágrafo seguinte. As rodas dos patins in-line de uma bela
mulata brasileira, por exemplo, podem nos levar do mix multicultural de
Miami para um excêntrico retiro de macacos artistas
aposentados do show business (!). A performance de um típico
garanhão carioca pode terminar de forma tragicômica no
auge de sua virilidade. E uma velhinha saudosa, quem diria, revela-se
uma bandida de estirpe.
Além de
apresentar-nos situações e figuras sui generis, O HOMEM
QUE MATOU O ESCRITOR ainda instiga com breves
citações. Como a um certo Nelson (Rodrigues?) e a uma
certa Ana (C César?), personagens que, discretamente,
revelam-se ao leitor, emprestando à trama seus estilos
contundentes e revelando as fontes nas quais bebeu toda uma
geração de novos escritores brasileiros.
Sérgio Rodrigues nasceu em
Muriaé (MG), em 1962. Trabalhou no Jornal do Brasil como
correspondente em Londres, nos anos 80, na Folha de S. Paulo, Veja
Rio e TV Globo. Co-editou a coleção "O Globo
2000" e, atualmente, é editor do "Segundo
Caderno" do Globo.