Sobre Joana D’arc contam que ...
Nasceu em
Domrémy, na atual província de Lorena, em janeiro de
1412. Sua terra foi devastada pela Guerra dos Cem Anos, um conflito
dinástico com a Inglaterra que começou em 1337. Foi
educada para as prendas domésticas tradicionais e, às
vezes, pastoreava as ovelhas. Aos 12 anos, começou a ouvir
vozes sagradas, que primeiro lhe falaram da necessidade de manter a
virgindade, para a salvação da alma. Depois, a
mensagem tornou-se mais específica. Ela devia coroar rei o
delfim e salvar a França dos ingleses.
Convenceu o senhor local a apresentá-la ao rei, e ao
soberano pediu que a autorizasse a participar do levante do
sítio de Orléans. Equipada com armas e homens partiu
para o ataque e, pela primeira vez em longo tempo, os franceses
saíram vitoriosos da batalha. Joana coroou o delfim na cidade
de Rheims. Mas sua sorte militar não durou muito. Logo, ela
travou uma série de batalhas perdidas, que terminaram em
sua captura pelos borgonheses, cujo duque, parente do rei da
França, se aliara aos ingleses. Foi vendida aos ingleses,
julgada por eclesiásticos franceses e em 1431, aos 19 anos,
morta na fogueira da Inquisição.
Em JOANA
D’ARC, da série Breves Biografias da Objetiva, Mary
Gordon, com a habilidade de grande ficccionista, vai
além do apenas contar a história de Joana e nos
apresenta um outro enfoque para a trajetória desse mito que
atravessou séculos e até hoje seduz a humanidade
como ícone de fé, determinação e
coragem.
Gordon explora o mistério, as
contradições e desejos mais secretos que levaram Joana
de uma vida obscura à glória — a jovem virgem e a
guerreira vitoriosa, a profeta cristã e a herege ganham vida
neste texto primoroso: envolvente como boa ficção,
informativo como pesquisa histórica de qualidade.
Ao
escrever o que considera uma "meditação
biográfica", Mary Gordon presta uma homenagem
à instabilidade de Joana: "Nesse livro envolvo-me na
tarefa, inacabável, de contemplar o mistério de uma
moça que veio do nada, apoiou uma causa equivocada,
triunfou durante apenas alguns meses, fracassou como soldado, teve
visões, abjurou o primado de sua visão, retirou a
abjuração, morreu em agonia, uma santa a que a Igreja
recusou canonização durante quinhentos anos, mas que
representa em nossa imaginação o decidido triunfo
daquela que nada temeu, que se sabia certa e plenamente capaz, e a
escolhida do Senhor ", observa Mary.
MARY
GORDON nasceu em Far Rockaway, Long Island, em 1948. Foi
criada em Nova York, numa comunidade de irlandeses,
predominantemente católica. Dentre seus livros, destacam-se:
Final Payments (livro de estréia que a tornou uma
sensação da noite para o dia, aos 29 anos, comparada
pela crítica a Jane Austen, Doris Lessing e Flannery
O’Connor); The rest of life,The other side e Spending.