A biografia definitiva de Juscelino
Kubitschek
JK , O ARTISTA DO
IMPOSSÍVEL, de Claudio Bojunga, conta a
história de um homem, de uma época e de um
país. Um homem que ousou governar com
imaginação, uma época em que os brasileiros
deram as costas à derrota — e viveram o sonho intenso de
serem modernos, cosmopolitas, viáveis. Este livro é
uma reparação ao mais republicano dos presidentes e
uma tentativa de entender por que um regime dinâmico e livre foi
o verdadeiro "regime de exceção" na
história do Brasil do século XX.
Para os que vivenciaram os anos dourados e os
anos de chumbo, JK O ARTISTA DO IMPOSSÍVEL
é um acerto de contas com a memória. Uma
reflexão com o necessário distanciamento sobre tudo o
que Juscelino significou para a nossa história. Para a nova
geração, a oportunidade de conhecer sobre o homem,
que à frente de seu tempo, tentou projetar um Brasil melhor
para o futuro e cujos ideais floresceram em nossa cultura, e em nossa
auto-estima como brasileiros.
JK – O
ARTISTA DO IMPOSSÍVEL
OS ANOS JK
O fascinante retrato de
uma época
por Claudio Bojunga
Foi um momento mágico de crescimento
econômico, democracia política e florescimento cultural.
Os anos JK foram também a época em que o Brasil
estabeleceu uma conexão madura com o resto do mundo,
atualização perfeitamente compatível com nossa
identidade mais profunda.
Para
reconstituir a trajetória de Juscelino de Oliveira Kubitschek,
Claudio Bojunga mergulhou numa longa, minuciosa e reveladora
pesquisa sobre essa época de esperança e
oportunidades, espremida entre o Estado Novo e o sombrio
período militar. Numa empreitada que lhe consumiu uma
década de trabalho, o escritor conseguiu entrevistar boa parte
dos atores e coadjuvantes históricos dos anos 50, muito deles
desaparecidos nos últimos dez anos. Graças aos
preciosos testemunhos de políticos, diplomatas, economistas,
historiadores, sociólogos e artistas, o autor acabou por
produzir mais que uma biografia de Juscelino: na verdade, o livro se
configura como um ensaio político sobre a
modernização do Brasil no século XX — aventura
em que JK desempenha o papel central.
Claudio Bojunga é carioca.
Formou-se em Direito e estudou Política Internacional no
Instituto de Estudos Políticos de Paris. Jornalista desde 1969,
trabalhou como repórter, redator, crítico e
correspondente internacional. Foi editor especial da Veja, diretor de
jornalismo da TV E e editorialista do Jornal do Brasil. Escreveu o texto
do filme Os anos JK, de Silvio Tendler, realizou
documentários e séries para a TV. Também
é autor dos livros Viagem à China aberta e
Viagem ao Brasil desconhecido, em parceria com Fernando
Portela.
JK – O ARTISTA DO
IMPOSSÍVEL
A
aventura do diamante
Uma narrativa original e
envolvente
O escritor Pedro Nava
comentou certa vez sobre Juscelino, seu amigo desde os tempos de
colégio: " Os nascidos em Diamantina têm todas as
virtudes do mineiro, uma por uma, mas não os defeitos,
já que descobriram uma coisa chamada alegria de viver. E JK
seria o protótipo do diamantinense. Acho inclusive que
Diamantina explica Juscelino. Precisava aparecer alguém que
fizesse a biografia dele misturando sua vida às aventuras do
diamante, à alegria de Diamantina, às serestas,
às igrejas, às casas velhas e à alma meio louca
e meio menina de Diamantina."
Inspirado na sugestão de Nava, Claudio
Bojunga recria nesse livro a trajetória de JK traçando
um paralelo com todo o processo de criação de um
diamante — da lavra, passando pela extração, o crivo, a
lapidação, o polimento, o engaste, o brilho, a
dilapidação, chegando a seu estilhaçamento e,
enfim, à restauração. O leitor pode acompanhar
passo a passo a saga do menino pobre de Diamantina que se tornou
um dos presidentes mais populares da história do país,
viveu dias de glória e prestígio, foi alijado da
política pela ditadura militar e morreu vítima de um
acidente cujos indícios, pinçados nos contextos
internacional e nacional de 1976, podem sugerir um atentado
conspiratório.
Mesmo
comprometido com a verdade histórica que uma biografia
exige, Bojunga não deixa de lançar mão de um tom
lírico, épico e apaixonante para melhor definir o mineiro
de porte altivo — que tinha como marca principal de personalidade o
otimismo, a alegria e o espírito empreendedor.
JK - O ARTISTA DO
IMPOSSÍVEL
Depoimentos sobre Juscelino
"Juscelino foi para a atividade
pública o que Mauá representou para as atividades
empresariais".
Gilberto Freyre
"Vi Brasília e não acreditava
que fosse dar certo. Hoje sinto o significado dessa coisa que,
acredito, nem o próprio Juscelino sentia. Brasília
é impressionante e está operando no Brasil uma
verdadeira mutação que se desenrola perante nossos
olhos. O Brasil está se tornando um império, não
no sentido de um império colonial, mas uma
nação-império."
"De todos nós, é o nome
dele que vai durar mil anos. Daqui a um século ou mais, pode
ser que algum sujeito decida fazer uma pesquisa para saber se fulano
fez um discurso assim ou assado, consulte livros para saber se
Drummond escreveu determinado poema. Mas não ele.
Juscelino estará na memória das gerações
porque a sua aventura vital foi
extraordinária."
Afonso Arinos
"Juscelino permitiu a utopia estética
baiana."
Glauber Rocha
"Amigos, o que importa é o que
Juscelino fez do homem brasileiro. Deu-lhe uma nova e violenta
dimensão interior. Sacudiu dentro de nós insuspeitadas
potencialidades. A partir de Juscelino, surge um novo
brasileiro".
Nelson Rodrigues
"JK quebrou o clichê do presidente
poseur, típico da República Velha. Sua
afabilidade raiava pela imprudência, sempre mal compreendida
pelos brasileiros que só acreditavam no exercício do
poder à antiga, nos durões como Bernardes e
Getúlio."
"Juscelino foi
o nosso primeiro presidente "não conselheiral": era pedestre,
comunicativo e próximo."
Antonio Callado
"JK foi um homem que fez coisas
importantes - um homem doce."
Tom Jobim
"JK era homem aberto, auditivo, receptivo,
fino sistematizador. Recebia informações novas e as
incorporava de forma permanente, redisciplinando seu espírito.
Ficava grato a quem lhe trouxesse ângulos inesperados.
Não tinha preconceitos ideológicos: ouvia
adversários e opiniões discordantes e não se
importava com a orientação filosófica ou
doutrinária do interlocutor. Aceitava a palavra dos
estigmatizados da esquerda, assim como os conselhos moderados
das raposas de antanho. Vivia na transição de dois Brasis
e saltitava na corredeira da história justificando o apelido pelo
qual ficou conhecido."
Antonio Houaiss
"Minha geração teve o
privilégio de viver sua juventude durante esses anos de ouro
do século, os anos de liberdade desenfreada, da
onipotência adolescente, de descontraída
irresponsabilidade. O futuro era para amanhã de manhã. O
Brasil estava à nossa frente, tinha-se de correr atrás
dele. Juscelino substituiu o vício da dor pela pedagogia da
alegria."
Cacá Diegues
"Se houvesse que compará-lo a
alguém, eu lembraria Cristovão Colombo, esse outro
grande obstinado. Todos os especialistas seus contemporâneos
estiveram de acordo em que os dados que usava o genovês
sobre o tamanho do Planeta Terra eram equivocados, sendo ele um
primário ou um louco. Como a ninguém ocorreu que
pudesse existir um continente novo, até então
desconhecido dos europeus, demonstrava-se facilmente que, com os
meios à sua disposição, Colombo praticava uma
insensatez pretendendo alcançar a Ásia pelo Ocidente.
Mas ele não arredava o pé de suas certezas, e
tão grande era sua fé que contagiava outras pessoas.
Finalmente, abrindo suas modestas velas e dirigindo a proa para o
poente, como um Dom Quixote guiado por alucinações,
veio a descobrir o Novo Mundo. Seu projeto era equivocado. O
resultado final, contudo, foi de muito superior ao que ele
almejava."
Celso Furtado
"Juscelino é o poeta da obra
pública."
Guimarães Rosa
"Quem
quiser ser inimigo de Juscelino deve ficar pelo menos seis
léguas de distância. O homem é uma pilha de
simpatia humana."
San Tiago Dantas
"A imagem que Juscelino transmitia era
modernizante. Ao convidar investidores estrangeiros para a
viabilização das metas da indústria
automobilística, de construção naval e de
mecânica pesada, rompia com a xenofobia estatizante da era
Vargas. Era um vendedor de esperanças e um tocador de
obras, disposto a quebrar rotinas burocráticas".
"A pergunta que, inconscientemente ou
conscientemente, a sociedade brasileira se faz é: como voltar
ao desenvolvimento, como participar do crescimento mundial?
Existem dois exemplos anteriores: um no governo civil
democrático, o outro no regime militar. A preferência,
é claro, vai para a experiência civil. Isto explica a
racionalização da reconstrução amorosa do
período JK: foi o crescimento em regime democrático.
A segunda experiência foi o regime militar, que por vários
aspectos revela-se sem atração".
Roberto
Campos
"Juscelino foi o
único presidente que fundiu o desenvolvimentismo com a
proposta democrática. Sua candidatura foi contestada de
forma violenta. Sua posse foi contestada. Durante seu governo,
houve duas revoltas militares e perturbações
gravíssimas. Há um grande mérito em JK do
ponto de vista da democracia, que é essa idéia pouco
freqüente no Brasil de aceitar o conflito como inerente à
política. O que precisamos são regras pelas quais se
possa processar esses conflitos. Neste sentido, JK foi um modelo de
democrata. Democracia é muito feita de rotina. JK nos deu a
lição de que isto seria possível."
José
Murilo Carvalho
"Juscelino define
um período histórico, a estrutura, a totalidade, a
essência de uma época É mais o começo
do que o fim de um período sintetizando novos valores. Havia
o sentimento do triunfo, não de um ou de uns, mas da grande
maioria."
José Honório Rodrigues
"Fora sua simpatia radiosa, seu espírito
sempre alerta, sua alegria sadia, seu zelo pelos estudos, seu
prodigioso coração - outros predicados não
distinguiam aquele menino vindo da casinha de porta e três
janelas da rua do São Francisco, na Diamantina, dos outros
meninos da sua turma. Era um moço de talento entre tantos
outros bem dotados daquele grupo de doutores de 1927. Ainda
não se tinham produzido as circunstâncias sociais e
políticas que iriam transformar esse homem num gênio
nacional, que figura em nossa história no rol em que
estão o nosso descobridor, os desbravadores, os bandeirantes,
os integradores da pátria, os fautores da unidade nacional, os
libertários da Inconfidência, do Dezessete e
Vinte-e-quatro, os pró-homens da Independência,
Abolição, da Proclamação da
República, os Grandes Chefes de Estado. Dos últimos
foi o maior e sua glória excede às de D.João,
dos Pedros, de Isabel, de Prudente e dos Conselheiros porque
nenhum desses governos foi tão cheio de
conseqüências como o seu. A construção de
Brasília e a conquista do Oeste desviaram completamente o
curso da nossa história e deram-lhe perspectivas até
hoje não avaliadas."
Pedro Nava
"Se fosse paulista, queria uma
estátua de Juscelino em todas as esquinas da cidade. Afinal,
Juscelino foi o criador da São Paulo
moderna."
Walther Moreira Salles
"Acho que o melhor presidente que o Brasil
já teve, pelo menos aquele que trabalhava com Plano de
Metas e tentou cumprir este plano, foi Juscelino Kubitschek.
Não acredito em quem não tem objetivos, não tem
projetos, não sonha alto. Eu acredito em gente como
Juscelino."
Luís Inácio Lula da Silva
"Hoje, Juscelino é uma
unanimidade. Soube governar com sentido democrático por
compreender que, em uma sociedade complexa como a brasileira, a
tolerância e o trabalho permanente de aproximar forças
divergentes são os únicos caminhos para fazer com que
a política cumpra o seu objetivo maior: servir ao bem
público. Juscelino foi, essencialmente, um articulador de
consensos, um homem de ação, de resultados. JK
alcançou o que poucos estadistas conseguem: criar uma nova
identidade nacional".
Fernando Henrique Cardoso