Aventura, solidão, triunfo, loucura e
morte o destino dos noves homens que se lançaram
aos perigos do mar na primeira regata sem escala ao redor do
mundo
"Nichols está para o mundo do
mar e da navegação assim como Hemingway
está para as caçadas e touradas."
Publishers Weekly
"Nichols descreve
de forma magnífica os sentimentos de reverência e
solidão que o mar inspira. Na sua maneira suave de contar a
história, ele nunca busca sua compaixão. Ele
simplesmente dilacera seu coração." New
York Times Book Review
No final da década de
60, nove homens, cada um em seu pequeno veleiro e sem direito a
acompanhantes, toparam o desafio de enfrentar todos os perigos do
mar, numa regata pioneira sem escala ao redor do mundo. O
ineditismo da prova aumentava a adrenalina dos competidores
já que ninguém sabia se a empreitada poderia ser
concluída com êxito. A competição foi
batizada por seu principal patrocinador, o jornal Sunday Times,
de regata Golden Globe. Os participantes podiam partir de
qualquer porto de sua escolha nas Ilhas Britânicas, entre os dias
1º de junho e 31 de outubro de 1968, e teriam de voltar a seu
porto de partida. A história dessa emocionante e
trágica competição uma das maiores
aventuras náuticas de todos os tempos e do destino
de seus protagonistas é contada no livro UMA VIAGEM PARA
LOUCOS do escritor Peter Nichols.
Mas afinal, o que teria
seduzido esses homens a ponto de fazê-los embarcar nessa
façanha sem precedentes e que poderia levá-los ao
encontro da morte? Numa minuciosa investigação sobre
a regata, Nichols imaginou-se a bordo de cada um dos nove barcos,
buscando entender o que se passava na mente de cada um dos
competidores. Isolados em suas minúsculas
embarcações, longe dos olhares do mundo, despidos de
quaisquer possibilidades de fingimento, estes aventureiros ficaram
expostos a condições aterradoras e a uma solidão
quase desconhecida na experiência humana. Somente um dos
nove cruzou a linha de chegada depois de dez meses no mar. Para
os outros, a competição trouxe conseqüências
desastrosas como o sentimento da derrota e do fracasso, desonra,
sublimidade, loucura e morte. Para o autor, eles não eram
desportistas eram jogadores solitários, impulsionados
por desejos complexos e pela tentativa de realizar uma façanha
radical com risco de vida. O diário de bordo de um dos
competidores define bem o objetivo daquela aventura no mar:
"O que eu queria descobrir era a mim mesmo".
Uma viagem para loucos tem o sabor daqueles romances
antigos de aventura, com uma narrativa de personagens
imprevisíveis, heróicos, e trágicos. Uma
história real que nem o maior dos ficcionistas poderia
imaginar.
Peter Nichols passou anos no mar antes
de se dedicar à literatura. É autor de dois livros
aclamados pela crítica: Sea Change, relato de sua
experiência de cruzar o Oceano Atlântico sozinho em um
barco de madeira, e o romance Voyage to the North Star.
Atualmente, é crítico literário do San
Francisco Chronicle e do London Review of Book.
Os Nove Competidores
John Ridgway, 29 anos, capitão do
Exército Britânico. Havia feito a travessia do
Atlântico em um barco a remo em 1966. Partiu no dia 1º
de junho de 1968. Não completou a regata.
Chay
Blyth, 27 anos, ex-sargento do Exército Britânico.
Foi companheiro de Ridgway na travessia transatlântica a remo.
Partiu no dia 8 de junho de 1968. Não completou a regata.
Robin Knox-Johnston, 28 anos, comandante da Marinha
Mercante Britânica. Partiu no dia 14 de junho de 1968. Foi o
único competidor a completar a regata. Ficou rico e famoso,
recebendo vários prêmios náuticos. Em 1994, em
companhia do iatista neozelandês Peter Blake, repetiu a
façanha de dar volta ao mundo numa embarcação
à vela sem escalas. Dessa vez num catamarã
gigante.
Bernard Moitssier, 45 anos, francês,
escritor especializado em navegação à vela.
Partiu no dia 22 de agosto. Decidiu abandonar a regata quando
já estava perto de concluí-la. Desviou a rota do ponto
de chegada e preferiu continuar navegando, pela segunda vez, em
direção ao Oceano Índico. Em seu diário
de bordo escreveu. "Minha intenção é
continuar viagem, seguindo, ainda sem escalas, para as Ilhas do
Pacífico, onde há muito sol e mais paz do que na
Europa(...) Não pensem que estou tentando quebrar algum
recorde."Recorde" é uma palavra muito tola
quando se está no mar. Estou prosseguindo porque estou feliz
no mar e, talvez, porque eu queira salvar minha alma."
Depois de dez meses no mar finalmente ancorou em Papete, no Taiti.
Moitessier morreu de câncer na França no dia 16 de
junho de 1994.
Loick Fougeron, 42 anos,
francês, gerente de uma fábrica de motocicletas em
Casablanca, no Marrocos e amigo de Moitssier. Partiu no dia 22 de
agosto. Não completou a regata.
Bill King, 57
anos, fazendeiro, ex-comandante de submarino da Marinha
Britânica. Partiu no dia 24 de agosto. Não completou a
regata.
Niglel Tetley, 45 anos,
capitão-de-corveta da Real Marinha Inglesa. Partiu no dia 16 de
setembro. Seu barco naufragou perto da Inglaterra, a apenas mil
milhas de distância de completar a volta ao mundo. No dia 5 de
fevereiro de 1972 cometeu suicídio, enforcando-se numa
árvore.
Alex Carozzo, 36 anos, navegador
italiano. Partiu no dia 31 de outubro. Não completou a
regata.
Donald Crowhurst, 36 anos, engenheiro
eletrônico inglês. Lançou-se ao mar no dia 31 de
outubro, horas antes do prazo final dado pelo jornal Sunday
Times. Sua participação foi marcada por fraudes e
momentos de loucura que terminaram com seu suicídio no mar.
Mentiu sobre sua rota de navegação, o que induziu os
organizadores da Golden Globe e os jornais da época
a acreditarem que ele completaria a prova em tempo recorde. Na
verdade passara 243 dias no mar, sem nuca ter deixado o Oceano
Atlântico.