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Uma Viagem Para Loucos
Peter Nichols
Relato   334 páginas
Tradução de Ana Deiró
ISBN: 857302433X


Aventura, solidão, triunfo, loucura e morte — o destino dos noves homens que se lançaram aos perigos do mar na primeira regata sem escala ao redor do mundo

"Nichols está para o mundo do mar e da navegação assim como Hemingway está para as caçadas e touradas." Publishers Weekly

"Nichols descreve de forma magnífica os sentimentos de reverência e solidão que o mar inspira. Na sua maneira suave de contar a história, ele nunca busca sua compaixão. Ele simplesmente dilacera seu coração." New York Times Book Review

No final da década de 60, nove homens, cada um em seu pequeno veleiro e sem direito a acompanhantes, toparam o desafio de enfrentar todos os perigos do mar, numa regata pioneira sem escala ao redor do mundo. O ineditismo da prova aumentava a adrenalina dos competidores já que ninguém sabia se a empreitada poderia ser concluída com êxito. A competição foi batizada por seu principal patrocinador, o jornal Sunday Times, de regata Golden Globe. Os participantes podiam partir de qualquer porto de sua escolha nas Ilhas Britânicas, entre os dias 1º de junho e 31 de outubro de 1968, e teriam de voltar a seu porto de partida. A história dessa emocionante e trágica competição – uma das maiores aventuras náuticas de todos os tempos – e do destino de seus protagonistas é contada no livro UMA VIAGEM PARA LOUCOS do escritor Peter Nichols.

Mas afinal, o que teria seduzido esses homens a ponto de fazê-los embarcar nessa façanha sem precedentes e que poderia levá-los ao encontro da morte? Numa minuciosa investigação sobre a regata, Nichols imaginou-se a bordo de cada um dos nove barcos, buscando entender o que se passava na mente de cada um dos competidores. Isolados em suas minúsculas embarcações, longe dos olhares do mundo, despidos de quaisquer possibilidades de fingimento, estes aventureiros ficaram expostos a condições aterradoras e a uma solidão quase desconhecida na experiência humana. Somente um dos nove cruzou a linha de chegada depois de dez meses no mar. Para os outros, a competição trouxe conseqüências desastrosas como o sentimento da derrota e do fracasso, desonra, sublimidade, loucura e morte. Para o autor, eles não eram desportistas – eram jogadores solitários, impulsionados por desejos complexos e pela tentativa de realizar uma façanha radical com risco de vida. O diário de bordo de um dos competidores define bem o objetivo daquela aventura no mar: "O que eu queria descobrir era a mim mesmo".

Uma viagem para loucos tem o sabor daqueles romances antigos de aventura, com uma narrativa de personagens imprevisíveis, heróicos, e trágicos. Uma história real que nem o maior dos ficcionistas poderia imaginar.

Peter Nichols passou anos no mar antes de se dedicar à literatura. É autor de dois livros aclamados pela crítica: Sea Change, relato de sua experiência de cruzar o Oceano Atlântico sozinho em um barco de madeira, e o romance Voyage to the North Star. Atualmente, é crítico literário do San Francisco Chronicle e do London Review of Book.

 

Os Nove Competidores

John Ridgway, 29 anos, capitão do Exército Britânico. Havia feito a travessia do Atlântico em um barco a remo em 1966. Partiu no dia 1º de junho de 1968. Não completou a regata.

Chay Blyth, 27 anos, ex-sargento do Exército Britânico. Foi companheiro de Ridgway na travessia transatlântica a remo. Partiu no dia 8 de junho de 1968. Não completou a regata.

Robin Knox-Johnston, 28 anos, comandante da Marinha Mercante Britânica. Partiu no dia 14 de junho de 1968. Foi o único competidor a completar a regata. Ficou rico e famoso, recebendo vários prêmios náuticos. Em 1994, em companhia do iatista neozelandês Peter Blake, repetiu a façanha de dar volta ao mundo numa embarcação à vela sem escalas. Dessa vez num catamarã gigante.

Bernard Moitssier, 45 anos, francês, escritor especializado em navegação à vela. Partiu no dia 22 de agosto. Decidiu abandonar a regata quando já estava perto de concluí-la. Desviou a rota do ponto de chegada e preferiu continuar navegando, pela segunda vez, em direção ao Oceano Índico. Em seu diário de bordo escreveu. "Minha intenção é continuar viagem, seguindo, ainda sem escalas, para as Ilhas do Pacífico, onde há muito sol e mais paz do que na Europa(...) Não pensem que estou tentando quebrar algum recorde."Recorde" é uma palavra muito tola quando se está no mar. Estou prosseguindo porque estou feliz no mar e, talvez, porque eu queira salvar minha alma." Depois de dez meses no mar finalmente ancorou em Papete, no Taiti. Moitessier morreu de câncer na França no dia 16 de junho de 1994.

Loick Fougeron, 42 anos, francês, gerente de uma fábrica de motocicletas em Casablanca, no Marrocos e amigo de Moitssier. Partiu no dia 22 de agosto. Não completou a regata.

Bill King, 57 anos, fazendeiro, ex-comandante de submarino da Marinha Britânica. Partiu no dia 24 de agosto. Não completou a regata.

Niglel Tetley, 45 anos, capitão-de-corveta da Real Marinha Inglesa. Partiu no dia 16 de setembro. Seu barco naufragou perto da Inglaterra, a apenas mil milhas de distância de completar a volta ao mundo. No dia 5 de fevereiro de 1972 cometeu suicídio, enforcando-se numa árvore.

Alex Carozzo, 36 anos, navegador italiano. Partiu no dia 31 de outubro. Não completou a regata.

Donald Crowhurst, 36 anos, engenheiro eletrônico inglês. Lançou-se ao mar no dia 31 de outubro, horas antes do prazo final dado pelo jornal Sunday Times. Sua participação foi marcada por fraudes e momentos de loucura que terminaram com seu suicídio no mar. Mentiu sobre sua rota de navegação, o que induziu os organizadores da Golden Globe e os jornais da época a acreditarem que ele completaria a prova em tempo recorde. Na verdade passara 243 dias no mar, sem nuca ter deixado o Oceano Atlântico.




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