"O texto do Antonio é ótimo,
rápido, new age, e o sinal da incontestável
qualidade é que dá inveja." - Arnaldo
Jabor
"Não fui o único leitor a me
apaixonar por Douglas, o livro de estréia de Antonio
Prata. Mas reivindico a primazia de ter sido o primeiro a dizê-lo
publicamente. Se você, leitor, perdeu a oportunidade de ler
Douglas, chegou a hora de se penitenciar. Leia As pernas
da tia Corália, e prepare-se para rir até arrebentar
os suspensórios." - Fernando Morais
O olhar original e bem-humorado do
cotidiano em contos de Antonio Prata
Se você
olhasse atentamente para uma berinjela, roxa e carnuda, mas olhasse
mesmo,como quem a visse pela primeira vez, talvez descobrisse
formas e texturas insuspeitadas. Ou quem sabe aquelas pernas, as da
tia Corália, mesmo existindo na sala apenas na sua
imaginação ou na capa de um livro, provocassem
súbitas e inexplicáveis sensações. O
inusitado, o revelador, o olhar original: é o que Antonio Prata
persegue em AS PERNAS DE TIA CORÁLIA, que
reúne 17 contos escritos com a leveza e a ousadia de quem
recém-completou 25 anos.
Bem, ele escreve desde
criancinha, nasceu numa família de jornalistas, dramaturgos e
escritores. Douglas e outras histórias, seu livro de
estréia, reuniu textos que já revelavam este humor bem
temperado, brasileiro, sem pudor. Nos contos selecionados aqui,
Antonio associa o culto ao deboche com uma peculiar aptidão
para olhar tudo, incluindo aí pernas e berinjelas, sem pressa ou
juízo de valor. E a cada página somos surpreendidos
por uma interpretação atenta e única do
cotidiano que muitas vezes nos passa despercebido e banal.
Em Ascensão, o autor narra, com a mestria dos
grandes humoristas, a história de João Arlindo, o primeiro
cineasta brasileiro a ganhar o Oscar. Quando é chamado por
Woopy Goldberg para receber o prêmio, ele é
surpreendido por uma constrangedora ereção e se
recusa a se levantar da cadeira para não dar um vexame diante
de 234 milhões, 187 mil e 27 telespectadores do mundo
inteiro. Já em O fim explora com fina ironia o desespero
de um agnóstico, que ao morrer engasgado com um
caroço de ameixa, se descobre no céu.Em Receita,
faz uma saborosa reflexão sobre o ato de escrever,
traçando um paralelo entre a elaboração de um
texto e a feitura de uma sopa.
Um editor cultiva seus
prazeres na vida, e um deles é este: apresentar um novo
autor. Pois aqui está Antonio Prata, para ser desfrutado com o
prazer de quem lê um escritor, jovem e talentoso, pela primeira
vez.
Antonio Prata estuda Ciências Sociais
na PUC. Tem vários textos publicados em jornais e revistas e
três livros editados: Cabras, caderno e viagem (com
Paulo Werneck, Chico Mattoso e Zé Vicente da Veiga),
Douglas e outras histórias e Escola viva.