Chega ao Brasil o fenômeno editorial
que conquistou os leitores da Espanha e Alemanha e consagrou o
espanhol Carlos Zafón como uma das maiores
revelações literárias dos últimos
tempos
Em meio à
profusão de títulos lançados a cada ano no
mercado editorial, poucos conseguem conquistar ao mesmo tempo o
público e a crítica. A Sombra do Vento, de
Carlos Ruiz Zafón, é uma dessas raridades. Por mais
de 60 semanas na lista dos livros mais vendidos da Espanha, onde
seu sucesso o fez ser considerado um verdadeiro fenômeno
literário, o romance repetiu o êxito na edição
alemã, que vendeu 100.000 exemplares no primeiro mês, e
já conquistou a crítica dos Estados Unidos, onde
acaba de ser publicado neste mês de abril. Ao todo, o livro teve
850.000 exemplares impressos nas diversas edições e
seus direitos de tradução foram vendidos para 17
países, além de ter sido finalista dos prestigiosos
prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001
e Llibreter 2002.
A Sombra do
Vento é uma narrativa de ritmo eletrizante, escrita em uma
prosa ora poética, ora irônica. O enredo mistura
gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a
novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de
Victor Hugo. Ambientado na Barcelona franquista da primeira metade
do século XX, entre os últimos raios de luz do
modernismo e as trevas do pós-guerra, o romance de
Zafón é uma obra sedutora, comovente e
impossível de largar. Além de ser uma grandiosa
homenagem ao poder místico dos livros, é um
verdadeiro triunfo da arte de contar histórias.
Tudo começa em Barcelona, em 1945.
Daniel Sempere está completando 11 anos. Ao ver o filho
triste por não conseguir mais se lembrar do rosto da mãe
já morta, seu pai lhe dá um presente
inesquecível: em uma madrugada fantasmagórica,
leva-o a um misterioso lugar no coração do centro
histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos.
O lugar, conhecido de poucos barceloneses, é uma biblioteca
secreta e labiríntica que funciona como depósito para
obras abandonadas pelo mundo, à espera de que
alguém as descubra. É lá que Daniel encontra
um exemplar de A Sombra do Vento, do
também barcelonês Julián Carax.
O livro desperta no jovem e sensível
Daniel um enorme fascínio por aquele autor desconhecido e
sua obra, que ele descobre ser vasta. Obcecado, Daniel
começa então uma busca pelos outros livros de Carax e,
para sua surpresa, descobre que alguém vem queimando
sistematicamente todos os exemplares de todos os livros que o autor
já escreveu. Na verdade, o exemplar que Daniel tem em
mãos pode ser o último existente. E ele logo irá
entender que, se não descobrir a verdade sobre Julián
Carax, ele e aqueles que ama poderão ter um destino
terrível.
Em sua busca de
início aparentemente inocente, Daniel acaba adentrando os
mistérios e segredos mais obscuros de Barcelona, e conhece
uma galeria de personagens que vão ajudá-lo a resolver
o mistério de Carax. Dom Gustavo Barceló,
célebre livreiro barcelonês, seriamente interessado em
comprar o exemplar de A Sombra do Vento que Daniel lhe
mostra; sua linda sobrinha cega, Clara Barceló, que revela a
Daniel os primeiros elementos do mistério que cerca Carax e
sua obra e por quem o menino se apaixona perdidamente;
Fermín Romero de Torres, mendigo de passado glorioso e
aguçado senso de humor que se tornará o maior aliado
de Daniel na busca da verdade; Nuria Monfort, mulher triste que
guarda em seu apartamento escuro um grande e doloroso segredo; e
Javier Fumero, o cruel policial que também parece dedicar a
vida a perseguir o fantasma de Julián Carax.
À medida que vai descobrindo mais sobre
a vida de Carax, Daniel entende que o mistério de sua obra
está de alguma forma relacionado à história de
amor entre dois jovens do início do século: o
próprio Carax, filho de um modesto chapeleiro, e
Penélope Aldaya, filha de uma família da alta
sociedade de Barcelona. E enquanto a cidade e seus personagens
vão aos poucos lhe revelando os segredos e as
conseqüências dessa história de amor do passado,
o próprio Daniel também descobre o verdadeiro amor
nos braços de Bea, irmã mais velha de seu melhor amigo
Tomás Aguilar.
A Sombra do
Vento usa o cenário grandioso de Barcelona, com suas
largas avenidas, seus casarões abandonados, sua atmosfera
gótica e espectral, para ambientar um romance arrebatador
que é também uma reflexão sobre o poder da
cultura e a tragédia do esquecimento. A busca de Daniel
marca sua transformação de menino em homem, e
desperta no leitor um fascínio renovado pelos livros e pelo
poder que eles podem exercer. Ao ler A Sombra do Vento, o
desejo que se tem é de, assim como o menino Daniel, abrir as
portas do Cemitério dos Livros Esquecidos e descobrir em
seus infindáveis corredores o livro que mudará nossas
vidas.
Carlos Ruiz Zafón
nasceu em Barcelona, em 1964. Em 1993, ganhou o prêmio
Ebedé de literatura com seu primeiro romance, O
Príncipe da Névoa, que vendeu mais de 150.000
exemplares na Espanha e foi traduzido em vários idiomas.
Desde então, publicou quatro romances e transformou-se em
uma das maiores revelações literárias dos
últimos tempos com A Sombra do Vento, finalista dos
prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001
e Llibreter 2002. O autor vive há sete anos em Los Angeles,
onde escreve roteiros para o cinema e trabalha em um novo romance.
Zafón colabora também nos jornais espanhóis
La Vanguardia e El País.
Desde
muito jovem, Zafón já tinha o dom de inventar
histórias e era conhecido por assustar os colegas de
colégio com seus relatos tenebrosos. "Sempre fui fascinado
pelo mundo dos robôs, das aparições, dos
fantasmas, dos palacetes modernistas, dos túneis [...]. Na
minha literatura, gosto de explicar histórias a partir de imagens,
e misturo relato de intrigas, relato de aventuras, romance
gótico e romance histórico não-realista. Acho
tedioso dizer: Fulano está triste. O que quero
é fazer o leitor sentir a tristeza. Tecnicamente é mais
complicado, mas dramaticamente tem mais força e é um
desafio", diz o autor.
Ao mudar-se para
os Estados Unidos, Zafón ficou chocado com "os enormes
hangares cheios de livros antigos, verdadeiros tesouros, que
estão virando supermercados e McDonalds". "Noto uma
destruição da memória e toda uma
indústria da falsificação da história para
justificar o presente", afirma ele. Essa preocupação do
autor permeia a narrativa de A Sombra do Vento, ambientado
em uma Barcelona ainda não atingida pela sociedade de
consumo. Zafón justifica a ambientação de seu
romance em meados do século "por se tratar de um momento
histórico fascinante onde a cultura da banalidade ainda
não estava tão desenvolvida, e onde os ideais ainda eram
importantes".
Repercussão na
Imprensa Estrangeira
Die
Welt, Alemanha
Um presente
para a fantasia
Por Michel
Friedman, 7/12/2003
Existem livros que
fazem sonhar, que são um presente para a fantasia. Quando
alguém lê um livro como esse, sente-se bem, não
quer ser incomodado por nada nem por ninguém, e deseja
apenas mergulhar no mundo dos personagens. A Sombra do
Vento é um presente assim.
Pelos olhos de um menino, o leitor é
apresentado ao mundo dos livros.
O
menino Daniel, cujo pai é dono de um sebo, tem a chance de
se tornar dono de um livro esquecido, e escolhe o romance A
Sombra do Vento. À medida que ele vai crescendo, ficam
cada vez mais evidentes as semelhanças entre a vida desse
jovem e a história contada no livro. Numa narrativa
interessante, extremamente sensível e que prende a
atenção do leitor, o livro conta uma história cheia
de amor e sentimentos. Também tem papel especial no enredo
o conflito político da época franquista, a atmosfera de
medo do período da ditadura e a alegria proporcionada pela
liberdade. Reserve dois dias e uma noite e deixe-se enfeitiçar
por uma história fascinante, comovente e política.
Perca bastante tempo com o capitulo final, que instiga ainda mais a
fantasia e constitui uma pequena obra-prima dentro da obra-prima
maior que é A Sombra do Vento.
Kirkus Reviews, Estados Unidos
Crítica recomendada,
1/3/2004
As histórias de um livro
misterioso e seu enigmático autor são elaboradamente
desvendadas neste vigoroso romance dickensiano: o primeiro livro de
um romancista espanhol que hoje mora nos Estados Unidos.
Conhecemos seu simpático narrador Daniel Sempre em 1945,
quando ele é um menino de 11 anos levado pelo pai, um dono
de sebo barcelonês, a uma biblioteca secreta conhecida como
Cemitério dos Livros Esquecidos. Fascinado, Daniel "escolhe"
um romance desconhecido, A Sombra do Vento, complicada
intriga cujo autor, Julián Carax, diz-se ter fugido da Espanha
quando estourou a Guerra Civil e mais tarde morrido em Paris. Carax e
seu livro deixam Daniel obcecado durante uma década,
à medida que ele se torna homem, fica fascinado, quando
não apaixonado, por três mulheres inesquecíveis, e
chega cada vez mais perto de entender quem foi Carax e qual foi sua
ligação com a família do tirânico dom
Ricardo Aldaya e por que um sinistro estranho "sem rosto"
que se identifica como a criação ficcional de Carax,
Laín Coubert ("o demônio"), aparentemente "saiu das
páginas de um livro para poder queimá-lo". As
investigações de Daniel são auxiliadas, e algumas
vezes atrapalhadas, por uma variada galeria de personagens
coadjuvantes que são evocados de forma vívida. Entre
eles está a reservada tradutora Nuria Monfort (que sabe mais
sobre os anos parisienses de Carax do que revela de início);
Jacinta Coronado, a criada da família Aldaya, confinada a um
hospício para esconder o que sabe; o enérgico
Sancho Pança de Daniel, Fermín Romero de Torres,
mendigo de muita personalidade que trabalha como "detetive
bibliográfico" na livraria dos Sempere; e o vingativo inspetor
de polícia Javier Fumero, um perseguidor na
tradição de Javert cuja recusa em acreditar que Carax
esteja morto antecipa o clímax da narrativa onde
Daniel percebe ser muito mais do que apenas um leitor da intrincada e
triste história de Carax. A Sombra do Vento vai
mantê-lo acordado à noite e será um
tempo bem empregado. O livro é absolutamente
maravilhoso.