Cabeça de adolescente é um mistério:
tédio, paixão, bobeira, ansiedade, e muita, muita
irresponsabilidade. Em O Cérebro em
Transformação, da neurocientista Suzana
Herculano Houzel, você vai descobrir que nem só de
hormônio vive a adolescência. Na verdade, tudo o que
ocorre entre os 11 e os 18 anos é fruto de uma grande
revolução química e neurológica.
Daí as súbitas mudanças de humor, as
inúmeras questões, a insegurança.
Numa abordagem original, Suzana Herculano revela que a
adolescência é um período necessário e
desejável da vida. O que acontece então na
cabeça do adolescente é muito mais do que uma
simples enxurrada hormonal. Seu comportamento é fruto de
um cérebro adolescente, que passa por uma grande
reformulação.
Para começo de conversa
é neste período que o cérebro diz realmente a
que veio. É uma fase de lapidação, refinamento e
amadurecimento. Muitas conexões que foram feitas até
a infância são abandonadas. Todo o sistema de
compensação sofre uma grande baixa e por isso
não é nada fácil deixar um cérebro
adolescente satisfeito. O corpo que cresce desordenadamente
distorce a auto-imagem e eles então precisam se identificar com
algum grupo
Esta é a fase ideal para se dedicar aos
estudos o cérebro tem sede de
informação. No entanto, a irresponsabilidade é
típica desta idade sim, um cérebro adolescente
não consegue pensar nas conseqüências dos seus
atos, ele simplesmente opera no aqui e no agora. Como resultado,
aparecem a rejeição familiar, a busca por novidades e
riscos, as paixões, a impulsividade e os novos interesses como
filosofia, política e religião. E para completar tantas
transformações, há a grande novidade, capaz de
fazê-lo sonhar acordado: a descoberta do sexo, dos
feromônios e dos rituais de sedução.
Longe de serem ruins, são essas mudanças no
cérebro que permitem o aprendizado e o amadurecimento que
tornam o adolescente em um adulto independente, sensato e bem
ajustado à sociedade.
Suzana
Herculano-Houzel foi uma adolescente comum. Deixou seus pais
preocupados enquanto escalava o
Pão-de-Açúcar, viajava pelo Chile de mochila nas
costas, saía para festas e obviamente jamais
lembrava de ligar para casa quando passava da hora combinada para
voltar. Ainda adolescente e aflita para não perder nenhuma
oportunidade, decidiu fazer pós-graduação nos
EUA no dia em que formou-se bióloga pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro, em 1992. Depois, fez doutorado e
pós-doutorado em Neurociências na Universidade de
Paris e no Instituto Max-Planck de Pesquisa do Cérebro em
Frankfurt, na Alemanha.
Voltou ao Brasil em 1999 para fazer
divulgação científica e escreveu dois livros sobre
neurociências para o grande público O
Cérebro Nosso de Cada Dia e Sexo, Drogas,
RocknRoll & Chocolate, que lhe valeram a
Menção Honrosa do Prêmio José Reis de
Divulgação Científica em 2004. Hoje é
professora adjunta do Departamento de Anatomia da UFRJ, onde
pesquisa as diferenças entre cérebros grandes e
pequenos de diferentes animais. Suzana mora no Rio de Janeiro com
os dois filhos, futuros adolescentes.