A cronista Ana Cristina Reis revela as
sofisticadas obsessões de uma mulher nada básica
O que deseja uma mulher nem Freud soube responder com
precisão, ainda mais por quem, ou que aventura, ela trocaria
seu reino por um homem, uma viagem a Paris, lagostins
regados a cheval blanc ou por um belo cashmere. Bem, diria
você depende. É o que também afirma
Ana Cristina Reis, esta jornalista que edita um caderno de moda, viaja
para todos os cantos do mundo e entende como ninguém de
gastronomia.
Ana é um pouco menos atrevida do que
as personagens de Sex and the city, o que a torna bem mais
real exatamente como qualquer uma de nós, mulheres
que têm lá suas inseguranças, sonhos e uma
imaginação lasciva. Pensar não é pecado.
E sobre o que ela verdadeiramente pensa é que escreve
neste livro. Sobre a vontade que às vezes bate de voltar ao
passado, ou de chegar ao futuro mais rápido enquanto
permanece o profundo desejo de encontrar alguém, em algum
lugar do presente.
Cada um cultiva suas próprias
fixações, mas uma mulher que já passou daquela
fase, a fase de ser básica cultiva muito mais.
Perspicaz, experiente e com um respeitável currículo
de trabalhos, amigos e amores -, esta mulher pode não
sabe o que quer, naquele exato instante em que você pergunta.
Mas logo depois te apresentará uma lista dos mais sofisticados
desejos.
Apaixonar-se por um italiano desconhecido numa
varanda em Florença; comprar jeans Moschino e perfume
Fendi; deliciar-se com trufas brancas num chalé das
montanhas; encontrar a mais bela torneira para a pia da cozinha; sair
com as mesmas amigas para o mesmo restaurante para tomar o
mesmo vinho; encontrar um piso pra sala que lembre o de uma antiga
fazenda: o chão do loft como retrato de sua alma,
entende?
Sobre estas obsessões mais ou menos
simples é que Ana Cristina caminha, de preferência sobre
as sandálias Manolo Blahnik sim, nesta questão
específica, ela é igual a Carrie, de Sex and the
city. Em muitas outras também, diga-se de passagem,
já que as aventuras das quatro nova-iorquinas foram
acompanhadas por Ana e suas amigas, e guardadas distâncias,
salários e temperatura ambiente, até que o grupo
brasileiro reproduz com estilo as loucuras das americanas.
Ana Cristina Reis é carioca criada em Minas por
família requintada. Desde menina se acostumou a se portar
direitinho na mesa, com todos os talheres e guardanapos adequados.
Hoje mora no Rio, cidade natal onde é editora do caderno
feminino Ela, do jornal O Globo, em que dá dicas sobre o novo
batom do mercado ou da melhor liquidação da Oscar
Freire. Vive em pontes aéreas, Rio, São Paulo, Paris,
Milão, Nova York, Buenos Aires. Nos espaços vazios,
entre viagens e jantares, escreve sobre as viagens e jantares,
e também sobre quem conheceu no caminho, sempre com
muito humor.