Imagine uma espécie de museu galático, com a
placa "Planeta Terra, 1000-2000, Era Cristã". Adotar
a perspectiva dos curadores desse museu foi a proposta de Felipe
Fernández-Armesto ao escrever Milênio, obra
monumental que reconstrói a história dos
últimos mil anos, sob uma nova perspectiva.
Assim,
no livro aparecem comerciantes e industriais, mas o
"capitalismo" não é mencionado. Há
nobres e camponeses, mas não "feudalismo".
Há mais detalhes sobre o século XIII em Túnis
do que em Paris, mais sobre o século XVI na Sibéria
que em Moscou. O socialismo é abordado mais pela
perspectiva dos Estados Unidos que da Rússia. A
história da China dos primeiros Ming é abordada
através da descrição dos animais das jaulas
imperiais; a do império espanhol do século XVIII,
através das plantas do Jardim Botânico de Madrid.
Para Fernández-Armesto, o destino das
civilizações é definido pelos mares, e o
milênio que começou na China, "a
porção mais civilizada da humanidade", termina com
a iniciativa se deslocando uma vez mais para o Pacífico, que
experimenta uma nova vitalidade. Entre esses dois momentos, a breve
hegemonia do Atlântico. A "supremacia ocidental"
é apresentada como imperfeita, precária e de curta
duração.
Assim, há mais coisas
sobre o Marrocos de al-Mansur que sobre a Inglaterra de Elizabeth I.
Em vez de Bismark, o autor se detém em Okubo Toshimichi.
Não se fala de Goethe, Mozart ou Michelângelo, nem
há um sumário do pensamento de Descartes. Mas
Fernández-Armesto faz questão de ressaltar:
"Omissões como estas em favor de exemplos mais
obscuros não ocorrem por motivos de ‘correção
política’, e sou um defensor do currículo tradicional
para ensinar história em escolas e universidades".
Membro do departamento de História Moderna da
Universidade de Oxford, Felipe Fernández-Armesto é
autor, entre outros, de Columbus, Barcelona: a Thousand
Years of the City’s Past e Reforma: O Cristianismo e o mundo
1500-2000.
"Felipe Fernández-Armesto
cumpriu com êxito um trabalho hercúleo (...) escrever
sobre o mundo inteiro, ou pelo menos resumir os últimos mil
anos do mundo em um livro que é um prazer ter nas
mãos e ler." — Robert Eisner, The New York Times
Book Review
"É inegável sua
fantástica vitalidade, sua originalidade, a enorme gama de
ensinamentos..." — Independent
"O livro inteiro é uma caixa de surpresas (..) e
esse é um dos seus maiores encantos." — The
Times
"Milênio pode ser descrito como
um tour de force de compilação e escrita. Sua tese
central é provocante, sua amplitude imensa." —
Financial Times
"Um livro extremamente
informativo e agradável. Com grande verve, ele nos leva
não apenas através de mil anos, mas das
civilizações de seis continentes." — Daily
Telegraph
"Seguramente um dos
mais fascinantes trabalhos de história que já li."
— Noel Malcolm, The Sunday Telegraph