Do nazismo à contracultura dos anos 60; dos socialistas
fabianos britânicos aos multiculturalistas americanos; de
Drácula e Freud a Robert Bly e Madonna — em A
IDÉIA DE DECADÊNCIA NA HISTÓRIA
OCIDENTAL, o historiador Arthur Herman mostra como a
convicção sobre o inevitável fim da
civilização dominou e influenciou o imaginário do
Ocidente. Num roteiro biográfico impecável, Herman
examina as idéias daqueles que passaram a rejeitar a
civilização, ao ponto de condená-la: Arthur
Gobineau, o aristocrata fundador da moderna teoria das raças;
Friedrich Nietzsche, cuja filosofia vitalista do irracionalismo foi
usurpada pelos fascistas e nazistas; e W.E.B. Du Bois, cuja
visão hostil do Ocidente influenciaria de modo profundo o
pensamento e o multiculturalismo afro-americano.
A
IDÉIA DE DECADÊNCIA NA HISTÓRIA
OCIDENTAL apresenta a investigação de Herman
sobre os pensadores não-românticos que se tornaram
obcecados pela imagem do fim de sua civilização:
historiadores como Henry Adams; Arnold Toynbee, o grande cronista
da história mundial; H.G. Wells, inventor da ficção
científica; Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Estes
pessimistas históricos abriram caminho para os
pessimistas culturais mais radicais, como Nietzsche e Du Bois,
lançando a dúvida sobre a capacidade de a
civilização ocidental renovar-se e solucionar os
próprios problemas.
Posteriormente, estas correntes
do pensamento decadentista envenenaram o poço da
confiança européia, fazendo — como defende Herman —
a decadência do Ocidente uma profecia auto-realizável.
Intelectuais, artistas e escritores cada vez mais se voltaram ao que
T.S. Eliot denominou "estranhos deuses", que continuam a
dominar a imaginação moderna. Bertolt Brecht, Jean-Paul
Sartre, Antonin Artaud, Frantz Fanon, Ezra Pound, Martin Heidegger e
Norman Mailer, todos celebram a libertação do jugo da
opressão sexual, do poder racial, da violência e da
crueldade como novas formas de autenticidade humana, a qual eles
acreditavam ser o antídoto vital para as forças
destrutivas da alma da sociedade capitalista de classe
média.
Ao mesmo tempo, novos movimentos
políticos radicais surgiram prometendo uma
liberação semelhante dos grilhões de uma
civilização fracassada. Fascismo, nazismo, comunismo do
Terceiro Mundo, Black Power e ambientalismo radical, todos
saíram do mesmo caldo de premissas decadentistas,
tornando-se parte perigosa do legado anti-ocidental do século
XX. Arthur Herman é professor adjunto de História na
Universidade George Mason e coordenador do Programa
Civilização Ocidental no Instituto Smithsonian.