Para definir a participação de Edmar Morel no
jornalismo brasileiro, Nelson Werneck Sodré afirmou:
"Nenhum reuniu, como ele, qualidades excepcionais de
coragem, audácia, faro para o acontecimento insólito,
capaz de atrair as atenções do público por dias e
dias." O mesmo Werneck, certo de que as experiências de
Morel não poderiam ser esquecidas, acabou convencendo o
amigo de que um livro de memórias tinha que ser escrito. A
família concordou, comprou fitas cassetes e Morel, diante do
santo constrangimento, começou a remexer arquivos,
gravar suas lembranças e rascunhar. Os episódios mais
marcantes vividos ao longo de 60 anos de imprensa são
registrados em 500 folhas do formato ofício.
HISTÓRIAS DE UM REPÓRTER, agora
lançado pela Record, ganhava seus primeiros contornos.
Para o leitor de suas memórias, Edmar Morel oferece um
relato vivo e preciso dos fatos mais importantes deste século.
Os capítulos de seu livro marcam este percurso
histórico. Na primeira parte, "Os primeiros passos",
Morel revela sua curiosidade política precoce, conta fatos
ligados à República Velha, à imprensa na
década de 1930 e faz comentários sobre a imprensa
carioca, os comunistas e os integralistas.
A narrativa se torna
mais densa e emotiva na segunda parte, "Reportagens no
império de Assis Chateaubriand". Morel relata a
mítica e folclórica visita de Orson Welles ao Brasil, a
expedição Fawcett, a Segunda Grande Guerra, fala dos
espiões, da presença dos Estados Unidos e da
miséria brasileira, sobre Vargas e os campos de
concentração no Paraguai. Em "Campanhas
democráticas através da imprensa" o jornalista
descreve a Europa devastada, seus encontros com o coronel Valerio,
carrasco de Mussolini, e com a filha do Dulce, Eda Ciano. No
Brasil, denuncia a seca no Nordeste e o imperialismo americano.
A última parte do livro tem a data de 1964 como ponto de
partida e o ano de 1988 como epílogo. Em "Seis
décadas de jornalismo", o foco se concentra na censura
e na resistência durante os chamados "anos de
chumbo", narrando o papel da ABI durante o período da
ditadura. Morel termina o relato se despedindo dos jornais que
desapareceram.
Edmar Morel nasceu em Fortaleza no dia 17
de março de 1912. Foi uma das figuras de maior destaque do
jornalismo brasileiro. Convidado por Oswaldo Costa, participou de uma
extraordinária experiência jornalística do
país: O Semanário. Teve seu batismo de fogo
no jornal O Ceará, anticlerical e antiimperialista, como
colega de Rachel de Queiroz. Escreveu reportagens
memoráveis para os melhores jornais do país e, como
autor de livros, publicou 16 títulos — incluindo-se
HISTÓRIAS DE UM REPÓRTER.