Irlanda do Norte, anos 40 e 50. Operários católicos,
policiais protestantes, conflitos, mártires do IRA., traidores,
violência e morte, nas amemórias de um garoto
católicoUma infância cheia de assombros, vista sob
duas perspectivas. A primeira, lendária, povoada por
paisagens oníricas como a de Grianan, o Forte do Sol,
guardado pelo guerreiro Fiana; o Campo dos Desaparecidos, sobre o
qual nenhuma gaivota voa; e a casa em Donegal, onde as
crianças são dominadas por forças
diabólicas. A segunda é a real: a cidade de Derry, na
Irlanda do Norte dos anos 40 e 50, um lugar também
assombrado, mas por inimigos políticos, segredos familiares e
intrigas mortais.
O menino que narra LENDO NO
ESCURO, lançamento da editora Record, cresce
enclausurado nesses dois mundos, sentindo que ambos estão
interligados por alguma força misteriosa que ele quer e
não quer reconhecer, sentindo a verdade aumentar como uma
mancha até atingir a ele e à sua família.
O
garoto _ cujo nome não é revelado _ traz na
memória lembranças vividas pelo próprio autor,
o irlandês Seamus Deane, numa obra que apresenta o medo
infantil se transformando em fantasia, ao mesmo tempo em que a
fantasia se transforma em realidade. A história é
contada como uma coleção de lendas — a irmã
morta que volta; o tio desaparecido presente em todas as
páginas, a casa da família, "tão bela e
coerente como um labirinto bem desenhado com alguém
soluçando exatamente no centro".
Claustrofóbico, mas lírico; triste, mas vibrante e
inesquecível, LENDO NO ESCURO é um dos
mais belos livros já escritos sobre a passagem da
infância para a idade adulta. É uma sutil e magistral
transformação das dores familiares e da violência
política em algo ao mesmo tempo rapsódico e
angustiante.
Seamus Deane nasceu em 1940, na mesma cidade
onde vive o narrador de LENDO NO ESCURO. Publicou
livros sobre crítica e poesia e é editor chefe do Field
Day Anthology of Irish Writing. Primeiro romance de Seamus
Deane, Lendo no escuro foi indicado para o prêmio
Booker de 1996, foi o vencedor dos prêmios The Guardian
Fiction e Irish Literature, e selecionado pelo jornal New
York Times como um dos livros mais importantes de 1996.
"Um retrato impiedoso e envolvente da infância na
Irlanda do Norte na década de 50, diferenciado por sua
linguagem de grande clareza e vigor e por uma
exploração implacável do poder de
corrupção dos segredos e anseios. Um trabalho de poder
e originalidade excepcionais." — Kirkus Reviews