Anthony Blunt, artista homossexual da geração de
1930 de Cambridge, foi um distinto historiador de arte inglês,
especialista em Poussin, curador da coleção de arte da
rainha e diretor do Courtauld Institute of Art. Mas também era
um espião que trabalhou para o Kremlin de 1930 a 1960. Em
1979, foi desmascarado por Margaret Thatcher no Parlamento e
humilhado publicamente. Morreu em 1983, vítima de um
ataque cardíaco. Em O INTOCÁVEL, John
Banville usa a ficção para contar a vida dupla do
último dos quatro espiões de Cambridge a ser
desmascarado (os outros foram Guy Burgess, Donald Maclean e Kim
Philby).
Victor Maskell, o espião da ficção,
é uma vergonha pública. Levou uma vida de mentiras.
Traiu sua pátria, sua família e a si mesmo. Depois do
pronunciamento na Câmara dos Comuns e a
revelação de sua vida dupla como espião durante
a guerra, sua fotografia borrada estava em todos os jornais.
Humilhado em público, seu título de cavaleiro foi
retirado e seu posto como curador das obras de arte da rainha
chegava ao fim.
Tal exposição, depois de uma
vida de segredos, deixa uma dolorosa consciência de sua idade,
ao mesmo tempo em que sente uma curiosa sensação de
renascimento, de ser o dono de sua nova vida. Aos 72 anos, ele
resolve contar a sua história, explicar como podia ser, ao
mesmo tempo, marxista e monarquista.
O que segue
é um desfiar de reminiscências, relatadas a Serena
Vandeleur, uma jovem que deseja escrever sua biografia. Victor abre
sua vida enquanto cozinha. A primeira coisa que ela pergunta
é: "Por que você fez isto?". Durante todo o romance,
Victor rodará em torno desta pergunta e, na verdade,
não dará apenas uma resposta, mas muitas. A pergunta
passa a ser então: em qual delas, se em alguma, pode-se
acreditar?
John Banville trata dos temas mais perversos da
atualidade com profundidade e sensibilidade extremas. O
INTOCÁVEL confirma o talento de Banville como um dos
maiores romancistas britânicos vivos. Nascido em Wexford,
Irlanda, em 1945, teve seu primeiro livro, Long Lankin,
publicado em 1970. É autor de Nightspawn,
Birchwood, Doctor Copernicus (com o qual recebeu o
James Tait Black Memorial Prize, em 1976), Kepler (que
conquistou o Guardian Fiction Prize, em 1981), The Newton
Letter, The Book of Evidence (indicado para o Booker
Prize e ganhador do Guinness Peat Aviation Award, em 1989),
Ghosts e Athena. John Banville é o editor
literário do Irish Times.