Escrito em 1961, dois anos antes do suicídio de Sylvia
Plath, A REDOMA DE VIDRO traz como personagem central
Esther Greenwood, alter ego ficcional de Plath. É
fácil reconhecer Plath nas atitudes, dúvidas e
neuroses da personagem. Fugindo do que seria uma óbvia
obra de literatura confessional, a autora cria um romance de
qualidades excepcionais, centrado no processo de
desintegração mental de sua heroína, promovido
pelas mais diversas manifestações do chamado
"senso comum".
Esther é uma jovem
provinciana, aluna brilhante de uma universidade do interior que um
dia tira a sorte grande e parte para um estágio em uma das
mais glamourosas revistas femininas de Nova York. Mas Esther, que
em um primeiro momento mostra-se uma mulher segura e ponderada
em meio a um grupo de mulheres fúteis, não resiste ao
jogo de vaidades e ao mundanismo do seu grupo. O que poderia ser
um mundo de oportunidades torna-se uma prisão opressora. Aos
poucos, outros aspectos sombrios de sua vida vão sendo
desvelados: o frágil relacionamento com a mãe, a figura
inexpressiva do pai e o relacionamento mal resolvido com Buddy
Willard, exemplo de um tipo de cretino vaidoso muito comum nos
Estados Unidos dos anos 50, que Plath — que sofreu indignidades
cruéis nas mãos dos homens — construiu com ironia e
desprezo cortantes.
Indecisa sobre seu futuro profissional e
assombrada pelos fantasmas do passado, Esther vê a volta para
casa como a única solução viável. E
é lá, rodeada pela mãe de atitudes
burocráticas e um ambiente social pouco afetivo, que Esther
chega ao limite e tenta se matar. A partir daí, acompanhamos
seu calvário por diversos hospitais psiquiátricos, as
sessões de eletrochoque e as crises de insanidade que em
muitos momentos — o que é mais assustador — beiram a lucidez.
A REDOMA DE VIDRO é o único
romance do legado literário de Plath, formado por uma obra
poética que inclui livros como Colossus e Ariel.
The Collected Poems, editado por seu ex-marido, o escritor
inglês Ted Hughes, foi o ganhador do Prêmio Pulitzer de
1982. Sylvia Plath se suicidou em 1963, aos 30 anos, em uma
cozinha tomada por gás.