Veneza, verão de 1890. Três pessoas se encontram:
Júlia, mãe de Heinrich e Thomas Mann, que passa
férias com a família de Lübeck; a escrava negra
Ana, antiga ama de Júlia; e o compositor brasileiro Alberto
Nepomuceno. Eles falam sobre os seus passados, exílio,
nacionalismo e terra natal, sobre a crise de valores e os dilemas do fim
de século. Tais discussões, tão familiares
às pessoas que viveram há um século quanto
ao cidadão hodierno, dão a tônica de ANA EM
VENEZA, de João Silvério Trevisan. O livro — que
ganha nova edição, desta vez com o selo Record —
é uma ficção literária consciente, uma
espécie de parábola, que por si só fascina ao
apontar para a então nova crise de identidade cultural que
levaria aos deslocamentos e à miscigenação
globais dos povos no século xx.
O ponto de partida
de ANA EM VENEZA é a história real da
origem germano-brasileira de Júlia da Silva Bruhns Mann: sua
infância em Paraty e a expulsão traumática da
menina de sete anos de idade de seu paraíso na infância
para a Lübeck protestante de 1858, que se percebe nos retratos
precisos da primeira parte do livro. O que vem depois decorre
daí. Não como "o que realmente aconteceu",
mas muito mais como "o que poderia ter acontecido",
seguindo a trilha da Poética de Aristóteles. O
romance termina com um salto para o presente, no qual ficam claros
os paralelos entre o ontem e o hoje.
Escrito com muita
beleza, cores e contrapontos, ANA EM VENEZA revela o
rigor e a sensibilidade de João Silvério Trevisan. Para
obter um quadro autêntico da crise do final do século
XIX, o autor realizou uma pesquisa de fôlego em arquivos,
bibliotecas e museus, além de entrevistas com especialistas
de 40 áreas diferentes, desde a escravidão no Brasil
até a moda da virada do século. O resultado é,
nas palavras de Frido Mann, "uma tela rica e cheia de
expressão".
João Silvério Trevisan
é jornalista, roteirista de cinema, tradutor, ensaísta e
escritor. É autor do livro de contos Troços e
destroços, do ensaio Devassos no paraíso e
do romance O livro do avesso, entre outras obras.
"João Silvério Trevisan construiu uma
catedral de erudição e audácia." — O
Globo
"Trevisan é um escritor que
trabalha de uma forma eminentemente artesanal, criando
diálogos vigorosos e cenas dramáticas entrecortadas
por monólogos interiores e (extensas) descrições
da paisagem. Assim sendo, amantes do virtuosismo literário
experimentarão, neste romance, momentos de rara
felicidade." — Die Woche
Internet:
http://www.intervista.com.br/livros/julia_mann.asp
http://www.folha.com.br/dialogos/obsceno.htm