Tarde de quinta-feira. Martin está no estacionamento de
um supermercado quando é baleado na cabeça.
Não há motivo. Nem testemunhas. Uma simples bala
destruiu seu córtex occipital, a região do cérebro
responsável pelas informações visuais. O que sua
vista percebe não é registrado por seu cérebro.
Porém, como que numa paródia ao velho ditado, o que
os olhos não vêem, o coração inventa: com a
visão limitada às horas da noite, Martin descobre um
mundo novo, exótico, surreal. Em O ATAQUE,
Rupert Thomson leva o leitor a um mundo de pesadelos no qual o
universo real é criado a partir dos exercícios da
imaginação. O livro é uma viagem
extraordinária — às vezes engraçada, às
vezes assustadora — pelos mistérios da mente, as brincadeiras
que ela nos prega e como ela afeta aquilo que nós chamamos
realidade.
Quando sai do coma, seu neuro-cirurgião,
Bruno Visser, diz que a perda da visão é permanente,
mas explica que, por causa da existência de atividade dos
olhos, algumas pessoas que sofrem deste tipo de cegueira acreditam,
muitas vezes, que podem enxergar.
Blomm tem uma
recuperação rápida, sem qualquer sinal de
depressão, desilusão ou pensamento suicida, sintomas
comuns em pessoas que ficam cegas repentinamente. Pelo
contrário: ao descobrir que sua visão voltou,
embora só à noite, ele passa a viver uma vida nova,
repleta de aventuras noturnas bizarras em ruas desertas,
bordéis baratos e bares decadentes, onde ele conhece um rol
de personagens singulares, como dançarinos, criminosos e
artistas circenses. Lá, ele também conhece Nina, uma
mulher sensual e cheia de mistérios que desaparece sem
qualquer explicação.
Rupert Thomson é
autor de Dreams of Leaving, The Five Gates of Hell,
Air and Fire e Soft.