Berlim, 1942. Lilly Wust, 29 anos, dona de casa, mãe de
quatro filhos, mulher de militar, leva uma vida igual a de milhões
de outras mulheres alemãs. Seu mundo consiste em tarefas
domésticas, educação dos filhos e um amante de
vez em quando. A perseguição aos judeus e aos
opositores políticos não a incomodam. É
então que conhece Felice Schragenheim, uma jovem de 21
anos. É — quase — amor à primeira vista, que leva Lilly
aos limites do paraíso e do inferno. AIMÉE &
JAGUAR é o codinome que escolhem para este romance
proibido, que a jornalista Erica Fischer investiga num livro envolvente
sobre amor e exclusão, paixão e preconceito, vida e
tragédia. O relato foi adaptado para o cinema numa
produção premiada de Max Färberbock, exibida no
Festival de Berlim de 1999.
Na primavera de 1943,
Felice/Jaguar se muda para a casa de Lilly/Aimée. Fazem
planos para o futuro, escrevem poesias e cartas de amor, inventam
um contrato de casamento, ignorando o caos à sua volta.
Quando Jaguar confessa à amante que é judia e
está na clandestinidade, este segredo perigoso une ainda
mais as duas mulheres.
Mas a felicidade dura apenas pouco
mais de um ano. No dia 21 de agosto de 1944, ao voltar de um
passeio ao rio Havel, Aimée e Jaguar estão sendo
esperadas pela Gestapo. Felice foge, mas é traída por
um dos moradores do prédio. Ela inicia a via-crucis de
incontáveis judeus alemães. Lilly fica desesperada, e
tenta até mesmo segui-la até o campo de
concentração de Theresienstadt. Ela recebe as
últimas linhas escritas por Felice no início de 1945 do
campo de concentração de Gross-Rosen. "Amo-te
muito. Beijos, beijos, beijos de Jaguar."
Erica Fischer
seguiu os passos de Felice, falou com as pessoas que conheceram
Aimée e Jaguar, passou incontáveis horas
conversando com Lilly — hoje com mais de 90 anos — em Berlim,
estimulou suas lembranças, a fez meditar, mexer em
documentos antigos, chorar. A adaptação de
AIMÉE & JAGUAR para o cinema abriu o
Festival de Berlim de 1999, no qual Maria Schrader e Juliane
Köhler, que interpretam Lilly e Felice, ganharam o Urso de Prata
de melhor atriz.
Erica Fischer, nascida em 1943 durante o
exílio dos pais na Inglaterra, voltou à Áustria em
1948. Desde 1988, trabalha como jornalista, autora e tradutora em
Colônia, na Alemanha.