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Ritos de sangue (Blood rites: Origins and History of the passions of war)
Barbara Ehrenreich
Comportamento   294 páginas
Tradução de Beatriz Horta
Formato: 16 x 23 cm
ISBN: 8501052485

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Um dia é da caça, o outro do caçador. Segundo a americana Barbara Ehrenreich, esse é o mais verdadeiro dos ditados. Em seu novo livro, RITOS DE SANGUE, ela trata, numa abordagem multidisciplinar, dos sentimentos que levam o homem a lutar — quais os intrincados mecanismos sociais e morais que nos fizeram passar de simples caça a guerreiros? Ao construir essa tese original, a autora desafiou teorias defendidas por nomes como Darwin, Freud e outros, num trabalho convincente. "Sempre me fascinou essa questão: o que há com nossa espécie que nos faz ver a guerra como algum tipo de sacramento?", argumenta ela. "Por que a violência é vista, numa ótica histórica, como o centro, o cerne da definição do que é sagrado?"

RITOS DE SANGUE responde a essas questões, mas sem tratar o assunto de forma acadêmica. O resultado é um livro elogiado pelo público e, principalmente, pela imprensa especializada: "Barbara Ehrenreich se embrenhou em um dos tópicos mais intratáveis da espécie humana, de forma singular", enaltece o New York Times; "Ehrenreich se superou ao romper com a história convencional", é a opinião, por exemplo, da revista The Nation. O sucesso não é gratuito. A autora compreende o alcance do tema e escreve como que provocando os leitores, sem, no entanto, super ou subestimá-los. Barbara destaca a peculiaridade do processo de transformação do homem de presa em predador e afirma que esse passo à frente na cadeia alimentar não eliminou a memória do terror.

Um medo que era sublimado através de ritos de sangue, sacrifícios humanos a deuses carnívoros, recriando o papel da presa que, capturada pelo animal predador, permitia, ao menos naquele instante, a fuga e subseqüente sobrevivência do restante do grupo. Todo esse banho de sangue, porém, é usado apenas como reforço para seu argumento: o que é a guerra, e por que ela tem sido uma constante em todas as sociedades? De acordo com algumas teorias, a guerra seria, alternadamente, uma forma mais radical da política ou, simplesmente, racionalização de um instinto ancestral de animais predadores.

Esta última explicação é a hipótese tomada por Barbara Ehrenreich na busca de uma teoria abrangente da guerra. Mas ela vira a tese pelo avesso, mostrando que se o homem é hoje uma raça de predadores, ele foi, durante longo tempo, não caçador, mas caça. Para isso, ela analisa o comportamento guerreiro humano desde a África pré-histórica até os conflitos computadorizados, no estilo videogame, e o fervor quase religioso presente em todos aqueles envolvidos numa guerra ou que vivem em função dessa possibilidade. A sacralização do conflito — com oferendas e superstições — é a atitude de uma criatura que apenas há pouco tempo perdeu o medo dos ruídos que ouvia à noite.

Cruzando dados antropológicos, biológicos, psicológicos e sociais, RITOS DE SANGUE apresenta a guerra como herdeira desses sacrifícios religiosos. É no trauma de ser presa que reside a tendência humana a sacralizar a violência, "no terror provocado pela besta assassina, associado à coragem e ao altruísmo imprescindíveis para a defesa do grupo". Os ritos religiosos de ontem são os ritos sociais e políticos de hoje, com uma substancial mudança na escala dos sacrifícios.

O grande insight de Barbara é perceber que nossa história moral está calcada no fato de termos sido constantemente agredidos e caçados ao longo de nossa história. Por já termos sido presas, sentimos o quanto isso soa errado, atingindo uma espécie de memória intuitiva. Foi a partir das caçadas que o instinto de sobrevivência nasceu em nós. E para derrotar a guerra, precisamos mudar o nosso foco, a maneira de entendê-la. Parar de vê-la como inerente à nossa natureza e sim algo apreendido do mundo.

Doutora em biologia pela Rockefeller University, colaboradora de publicações como The New York Times Magazine, The Washington Post Magazine, Esquire, The Nation, The Wall Street Journal e The Guardian, Barbara Ehrenreich é autora de diversos ensaios sobre feminismo, entre eles Fear of Falling: The Inner Life of Middle Class, Witches, Midwives and Nurses: A History of Women Healers, e The Worst Years of Our Lives: Irreverent Notes from a Decade of Greed.

 

 

"Uma singular pensadora da atualidade, Barbara Ehrenreich se embrenhou em um dos assuntos mais intratáveis da espécie humana." — The New York Times Book Review

"Esplêndido...uma perspectiva fascinante sobre nossa inclinação à matança mútua. Ritos de sangue é o retrato deste animal sanguinário, um marco da não-ficção." — Newsweek

"Ehrenreich se superou ao romper com a história convencional" — The Nation

"Original e esclarecedor." — The Washington Post




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