Carlos Trigueiro — que estreou maduro no conto, com o volume
O Clube dos Feios e outras histórias
extraordinárias (1994), muito bem recebido pela
crítica e pelo público — lança, agora, este O
LIVRO DOS CIÚMES. Seguindo a
frase-definição de que o ciúme é
"imanente fraqueza humana, não há quadrante
onde não viceje" e de que "ninguém
é imune" a ele, o texto reflete a vivência de muitos
anos no exterior, em várias culturas, e percorre um
delírio de épocas diversas para confirmar que este
"monstro de olhos verdes", na concepção do
eternamente atual Shakespeare, sempre existiu e sempre
existirá.
Já no primeiro conto, Carlos Trigueiro
faz referência ao livro Lendas ciganas, versão
latina de As mil e uma noites, e da Musa dos Ciúmes,
que inspira a criação dos textos. A partir daí,
todas as 11 narrativas, apesar de independentes, se ligam à
primeira, em que a personagem, a musa "com forte sotaque
andaluz", sopra cada um dos contos, cabendo ao narrador
adaptá-los "aos tempos e quadrantes da vez". Um
rosário de personagens — estranhos, alegres, trágicos,
tristes, bisonhos, comoventes — é contado nos textos, cada
qual vivendo situações surpreendentes em
histórias com final inesperado.
Nos contos de
Trigueiro, a compulsão da posse — vulgarmente chamadas de
ciúmes — não fica restrita às questões
carnais, ao medo de das traições conjugais. Possuir e
temer andam juntos, seja qual for o objeto da paixão, em
qualquer circunstância. Podem estar nas coisas grandes, mas
também nas ninharias.
Carlos Trigueiro nasceu em
1943, em Manaus (AM). Viveu na Espanha, Itália, China e
EUA. Publicou artigos, memórias (Memórias da
liberdade, 1985) e ficção. As revistas literárias
L’Immaginazione (Itália, 1995) e The Americans
Review (EUA, 1996) publicaram contos do autor. A Taller de
Letras (Chile, 1997) publicou um ensaio sobre os seus
contos.