Pouca gente sabe que, no início de sua carreira, James
Hilton — autor de Paraíso perdido e Adeus, Mr.
Chips — aventurou-se no romance policial. Em 1931, pouco antes
de alcançar o sucesso, ele publicou CRIME NO
COLÉGIO, que a Editora Record agora lança entre
os títulos da Coleção Negra, dedicada ao melhor
desse gênero. Um belo exemplo das tramas de
investigação inglesas, com toques sombrios de romances
góticos e uma violência que bem poderia ter lugar na
mais brutal ficção policial americana.
Tudo
começa, naturalmente, com um cadáver. Um menino
morre, aparentemente de forma acidental, em sua escola, a tradicional
Oakington. O diretor, preocupado com a reputação de
seu estabelecimento (e com a possibilidade de o acidente não
ter sido nada acidental), chama um velho aluno, detetive amador,
para investigar o caso.
Colin Revell, o protagonista, é
um detetive inteligente e culto, mas que eventualmente se
embaraça nas teorias demasiadamente complicadas que
elabora. A investigação faz com que desenterre
memórias que deveriam permanecer esquecidas, provocando
professores, inspetores e alunos ao limite de sua resistência
psicológica. Cheio de surpresas e reviravoltas, CRIME NO
COLÉGIO tem uma trama muito bem-desenvolvida e
narrativa envolvente até a última linha. Um
clássico pouco conhecido que, se não bastasse a boa
história, já valeria pela fama de Hilton.
James
Hilton nasceu em Lancashire, Inglaterra, em 1900. Por ser jovem,
escapou do serviço militar na época da Primeira Grande
Guerra. Após o conflito, conciliou a faculdade com a literatura
e o jornalismo free-lancer. Aos 18 anos, escreveu seu primeiro
romance, Catherine Herself, publicado em 1920. Mas o
sucesso literário demorou mais de dez anos para chegar, e por
isso Hilton trabalhou como professor.
Seu segundo romance
foi publicado em 1931, no mesmo ano de CRIME NO
COLÉGIO. Em 1933, lançou Horizonte
perdido, que se tornou um grande sucesso no cinema. A
experiência o levou para Hollywood, onde trabalhou no
acompanhamento da adaptação cinematográfica
de vários de seus livros, entre eles Adeus, Mr. Chips,
que também tornou-se clássico nas telas. Hilton morreu
em dezembro de 1954.