Os homens do mar são homens de mistério. E Vasco
da Gama não escapa à regra — ele que, há cinco
séculos, abriu as portas da Ásia e traçou o
primeiro caminho marítimo que ligou os povos da Europa, da
África, da Ásia e, mais tarde, da América.
Desenhou, assim, uma imagem da Terra que correspondia a um novo
tempo, que veio a ser, como o nosso, uma era de conquista do
espaço e da comunicação. A vida de um dos mais
notáveis personagens da História universal foi
vasculhada por Geneviève Bouchon, e o resultado de suas
investigações estão na biografia VASCO DA
GAMA, da Editora Record.
Vasco da Gama transitou
entre cavaleiros e corsários, partilhando as mesmas
paixões, os mesmos rancores, as mesmas esperanças, o
mesmo espírito aventureiro. Nos navios do rei de Portugal, D.
Manuel I, adestrou-se nas artes e nas técnicas de
navegação que deram aos portugueses o domínio
do Atlântico antes mesmo da grande travessia do Oceano
Índico. Ao chegar à longínqua Índia,
Vasco da Gama descobriu não só um próspero
mundo marítimo, mas também um mercado imenso,
marcado pelo crescente poderio do Islã.
A
personalidade de Vasco Gama ficou oculta sob o peso de uma
glória póstuma intensamente exaltada por seus
descendentes. Uma glória que culminou, no fim do
século XVI, com a publicação de Os
Lusíadas, no qual Luís de Camões apresenta
Vasco da Gama como um herói mítico, digno da
tradição mitológica da Odisséia e Eneida,
muito diferente do homem que o livro retrata: um capitão
implacável, com uma personalidade forjada na
violência.
A historiadora francesa Geniève
Bouchon é diretora honorária do Centro Nacional de
Pesquisa Científica de Paris, faz parte da Academia de
Marinha de Lisboa e é membro emérito da Academia
Portuguesa de História. É autora de L’Asie du Sud
à l’époque des grandes découvertes,
Mamale de Cananor, un adversaire de l’Inde Portugaise e
Albuquerque, le lion des mers de l’Asie.