Em MULHER DA COR DO TANGO,
a jornalista argentina Alicia Dujovne-Ortiz transforma em literatura um
antigo devaneio de Júlio Cortázar. A história
trata duas famosas mulheres do imaginário artístico
como se fossem a mesma pessoa. Mireille, bela e original menina de
bordel pintada por Toulouse-Lautrec, abandona seu benfeitor pelas
promessas de um jovem argentino. Segue para Buenos Aires, troca de
nome e se transforma na dançarina de tango Mireya, cantada
nas estrofes de Carlos Gardel.
MULHER DA COR DO TANGO traz
verossimilhança à uma personagem que liga, de
maneira ficcional, duas personalidades marcantes da cultura
ocidental: Gardel e Lautrec. O cuidado documental já
evidenciado nas pesquisas para suas obras de cunho
biográfico — Eva Perón e Maradona soy
yo, entre outras — ajuda a autora a criar um perfil
psicológico coerente para a encantadora e
revolucionária Mireya.
Dona de
uma narrativa apaixonada, Alicia Dujovne-Ortiz usa e abusa da poesia
e das figuras de linguagem para descrever as cenas de sexo e as de
tango, que acabam por desencadear duelos mortais entre os
apaixonados da mulher da cor do tango. O livro é permeado
por uma ironia sagaz, senso de humor, citações
subentendidas e rápidos diálogos.
Alicia Dujovne-Ortiz
nasceu em Buenos Aires e vive em Toulouse, França, desde
1978. Como jornalista, traçou uma sólida carreira
internacional, trabalhando em vários jornais, entre eles o La
Opinión e o La Nación, na Argentina, o
Excelsior, no México e o prestigioso Le Monde,
na França. Ingressou na literatura em 1982, com a biografia de
Maria Elena Walsh. Trabalhou como a assessora de imprensa para a
editora Gallimard e, em 1986, foi homenageada pela John Simon
Guggenheim Memorial Foundation. A seguir, lançou
Maradona soy yo (1993) e Eva Perón (1995),
onde conta a vida de dois mitos argentinos. Em 1997, é a vez
de El árbol de la gitana. Em 1998, atinge sua
maturidade como escritora e publica A MULHER DA COR DO
TANGO.