"Agora em seu Retrato do artista quando coisa,
não contente em descoisificar o mundo, Manoel se coisifica e
de poeta passa a ser, ele mesmo, parte integrante da poesia. Como
naquele jogo de descobrir o bicho oculto num desenho, podemos
descobrir o Manoel no poema." — Fausto Wolff
Primeiro livro inédito de Manoel de Barros desde o
premiado Livro sobre nada — ganhador do Prêmio
Nestlé 1997 —, RETRATO DO ARTISTA QUANDO
COISA revela um mundo no qual o poeta está
totalmente integrado à paisagem do pantanal. Seja como
pedra, bicho, musgo ou pequenos seres que habitam a região,
Manoel de Barros se veste e reveste de natureza, construindo
poesias que tornam o seu meio cada vez mais uno. Como diz Fausto
Wolff no texto de orelha: neste livro, a paisagem se manoeliza. Ou
é Manoel que se paisageia?
O livro é dividido
em duas partes. Na primeira, que tem o mesmo título do livro,
visualiza-se a transformação do poeta em uma das
"coisas" do seu ambiente: "Há um cio vegetal
na voz do artista/Ele vai ter que envesgar seu idioma ao ponto/De
alcançar o murmúrio das águas nas folhas das
árvores/.../Não terá mais idéias:
terá chuvas, tardes, ventos, passarinhos..." Na segunda
parte do livro — "Biografia do orvalho" —, Manoel de Barros
faz pequenas avaliações sobre si, sobre o ser, as coisas
e a natureza, e a sua solução para o cotidiano: "Eu
penso renovar o homem usando borboletas." Ou:
"Sabedoria poder ser que seja ser mais estudado em gente do
que em livros."
RETRATO DO ARTISTA QUANDO
COISA, quinto livro do poeta publicado pela Record, traz
desenhos de Millôr Fernandes e, como nos anteriores, projeto
gráfico de Regina Ferraz. Nascido a 19 de dezembro de 1916,
em Cuiabá, o poeta é casado, tem três filhos e
sete netos. É autor de Livro das
ignorãças, Arranjos para assobio e Guardador de
águas.