O espetáculo O semelhante, de Elisa Lucinda
(sucesso há cinco anos no país) criou um novo
espaço para a poesia. Viajando pelo Brasil, a poeta capixaba,
debaixo das luzes dos refletores, dá voz e vida a seus versos,
como faziam os antigos menestréis. As poesias apresentadas
nos recitais foram reunidas em um livro que recebeu o mesmo
título do espetáculo. Em 1999, ela volta a encantar
seu público com EUTEAMO E SUAS
ESTRÉIAS, seu mais novo livro de poesias. Na tentativa
de definir a espontaneidade, a provocação, a carga
explosiva de seus versos, ficamos com a certeza de que o talento de
Elisa Lucinda não fica aprisionado nos cânones
clássicos da composição poética. Ela
é toda emoção.
O sucesso da poeta,
comprovado nas anotações de sua agenda de viagem,
começa a romper as fronteiras brasileiras. Em 1998, no 14º
Festival de Poesia de Trois-Rivière, no Canadá,
recebeu o apelido de Tornado Brasileiro. Ainda em maio, ela
viaja para Zagreb, representando o Brasil no Festival Conversas
Literárias. Há um ano, Elisa decidiu criar a Escola
Lucinda de Poesia Viva. Com seus alunos, apresenta-se em diversos
espaços culturais semeando a sua poesia e a de outros poetas
como Manoel de Barros e Adélia Prado.
O escritor
Antonio Olinto classifica como "neopagãos" os
versos de Elisa Lucinda, e afirma que "sua poesia é a de
plena emoção, que não se pode deixar de ler ou,
se a autora estiver perto, ver e ouvir". Como afirma Alice Ruiz na
apresentação do livro, "hoje, sim, o ser mulher
está dito... E, bem no centro... a voz lúcida de Elisa
Lucinda. Corajosa, desabrida, sem-vergonha, forte e guerreira,
desvendando os mistérios do pensamento e dando um banho
de sentimentos. Especialmente neste EUTEAMO E SUAS
ESTRÉIAS, onde todas as declarações de
amor estão presentes: pelo verbo, pelo verso, pela falta, pela
presença, pela parceria, pela pátria, pela verdade, pela
dúvida e pela certeza, pelo tesão."
Elisa
Lucinda nasceu em Vitória (ES). Aquariana, com ascendente
em Touro, é "galo" no horóscopo
chinês. Mulata de olhos verdes, esguia, aos 11 anos
começou a dizer versos e se apaixonou pela poesia. Diplomada
em jornalismo em 1982, iniciou suas atividades no teatro. Veio para o
Rio em 1986. Ingressou na Casa de Artes de Laranjeiras (CAL). Atriz
de televisão, teatro e cinema, professora universitária,
escritora de contos, poemas, peças teatrais e letras de
música, Elisa tem feito sucesso nas várias atividades a
que se dedica. Mas é a interpretação da poesia,
o dizer da poesia, o lado que mais a fascina e onde tem brilhado.
No teatro, participou de Rosa, um musical brasileiro, de
Domingos de Oliveira e Joaquim Assis, e Bukowski, bicho solto no
mundo, adaptação de Ticiana Studart e Domingos
de Oliveira. Trabalhou nos filmes O testamento do senhor
Nepomuceno, de Francisco Manso, e A enxada, de
Iberê Cavalcante, entre outras produções. Pelo
trabalho no cinema, ganhou o prêmio de
atriz-revelação no Festival do Cinema Brasileiro de 1989 e
o de melhor atriz no Rio Cine Festival de 1990.
Na
televisão, destacam-se suas participações nas
novelas Kananga do Japão, Araponga e
Sangue do meu sangue, na minissérie A escrava
Anastácia e no seriado Mulher. Mas sua
atuação mais freqüente é em
espetáculos solo, shows, recitais e pocket-shows, em
que a música e poesia são a base principal.