Uma análise crítica dos temas polêmicos
do primeiro
e o que poderá vir a ser o segundo
mandato de Fernando Henrique
Candido Mendes
O professor e cientista político Candido Mendes
estará lançando no próximo dia 3 de novembro,
pela Editora Record, o livro A PRESIDÊNCIA
AFORTUNADA — DEPOIS DO REAL E ANTES DA
SOCIAL-DEMOCRACIA. A obra é uma reflexão
sobre os temas críticos do primeiro mandato de Fernando
Henrique Cardoso e do que poderá acontecer no segundo:
neoliberalismo versus social-democracia, as
contradições do tucanato no poder e o dilema entre o
presidente intelectual e o político. Ë um livro sobre nosso
momento histórico, com os principais fatos políticos e
econômicos relacionados ao presidente em sua trajetória
nos últimos anos.
O autor procura compreender o
pensamento do intelectual de esquerda que revê suas
convicções em nome de uma garantia de
governabilidade, e que o interroga na busca de um caminho para a
via da social-democracia. Enfrentando as imprevisíveis
conseqüências da abertura irrestrita no mercado
globalizado, nosso presidente luta, de um lado, contra a fuga de
capitais, e de outro, para manter-se no poder.
Candido
Mendes se vale da posição de observador e, algumas
vezes, companheiro de FHC para expor sua visão sobre os
acontecimentos dos últimos anos da vida política
nacional — uma oportunidade de conhecer melhor essa mente
complexa, que ao mesmo tempo que afirma saber da fácil
tentação do poder, seduz-se por sua riqueza. A segunda
parte do livro acompanha a política do país neste
último biênio, tal como analisado pelo autor em artigos
publicados na Folha de São Paulo, no Jornal do
Commercio, no Jornal do Brasil e no Correio
Braziliense.
"A convivência com os pefelistas
foi mais longe que a de meros sócios eventuais de percurso.
Da votação das reformas passou-se à emenda
básica da reeleição: o confronto
ideológico ficava para o segundo tucanato, guardando o
Presidente, in pectu, o propósito de, afinal, dizer a que veio
como social-democrata. É como intelectual que cada vez mais
reitera o seu papel histórico, que FH cobra consciência e
manifesta a sua visão do que é tarefa iniludível
de uma legenda, a ter marca e recado universal neste fim de
milênio. Traz a si a visão muito particular de como o
país tem jeito e se moderniza, e do quanto o PSDB passaria a
ser uma crença; dos que estão com ele - para
além de uma mera adesão partidária - como
repetiu a Roberto Pompeu de Toledo.
Por outro lado, o PFL
é o partido com cálculos de oportunidade,
balanço de risco e solidíssima disciplina de votos. O
PSDB hoje é, muito menos que uma ideologia, o partido do
Presidente. Pede e licita prendas e benesses como todas as outras
legendas. Só que, à falta da retribuição,
perde entidade e espaço e não pode nem reagir, nem
reclamar como a legenda no trono. Refém de FH,
órfão e nunca protagonista próprio do sistema,
perdeu a autonomia para disputar todo o enorme naipe da
centro-esquerda do país, que votou no tucano em 94 e
não deu ao eleito carta de prego para levar o país
à sua inspiração personalíssima de nossos
rumos.
E talvez à margem do seu destino
histórico, como lhe lembrou Serjão, literalmente, nas
suas últimas palavras, à beira da anestesia. O Sancho
Pança sabia dos caminhos frente aos humores da mais nobre
cavalaria, no mundo das idéias, no que pode o
Príncipe, não mais o governante, ao mero nível
do mar da democracia."
Mais
informações:
Magno José/Ana Clara —
Tel. 507-3363; Beatriz Corrêa - Tel 265-4921