Em O LIVRO DE SALADINO, Tariq Ali nos destitui da
idéia romântica de que as Cruzadas representavam uma
aventura de cavaleiros em armaduras reluzentes, lutando para civilizar
povos bárbaros e libertar Jerusalém do jugo
muçulmano. As cruzadas, em O LIVRO DE
SALADINO, são apresentadas pela perspectiva
islâmica: episódios pontuados por saques, brutalidade e
desrespeito pela crença dos conquistados.
A
obra faz parte de um ambicioso projeto do escritor de
produzir quatro romances históricos, nos quais rememora as
origens do milenar embate cultural entre o mundo árabe e o
cristão. Com ele, Tariq Ali chega à metade do
empreendimento, iniciado por Sombra das romãzeiras,
também editado pela Record.
O LIVRO DE
SALADINO é a crônica da vida do soldado curdo
Salah al-Din, o Saladino, que se tornou sultão do Egito e da
Síria e conquistou Jerusalém em 1187, derrotando os
cruzados numa guerra santa. Quem narra a epopéia é
o escriba judeu Ibn Yakub — cuja própria vida é
contada nos intervalos. Os episódios são ditados em
parte pelo próprio sultão, em parte por seus parentes e
amigos, reconstruindo a história de um combatente conhecido
por sua bravura e lealdade.
Mais do que nos apresentar a
versão menos ortodoxa das Cruzadas, O LIVRO DE
SALADINO nos remete ao universo da cultura
muçulmana, capturando elementos pouco conhecidos pelos
ocidentais e estelada por eunucos, cavalheiros árabes,
assassinos e escravos, servidos em doses de humor, graça e
sensualidade.
O paquistanês Tariq Ali é um
iconoclasta. Se ele agora abre fogo contra as Cruzadas, em
Sombra das romãzeiras mostrou o quão sangrenta
e bárbara foi a missão de cristianizar a Península
Ibérica — sobretudo o sul da Espanha, onde a cultura
muçulmana foi incendiada, literalmente, no episódio que
entrou para a História como a grande fogueira dos livros
árabes: um auto-de-fé em Granada, ordenado pelo
cardeal Ximenes de Cisneros, sob o auspício dos reis
católicos Fernando e Isabel.
Escritor, roteirista e
cineasta, Tariq Ali nasceu no Paquistão e estudo na
Universidade de Oxford, na Inglaterra, onde vive. Escreveu biografias,
obras de história e política internacional, incluindo
The Nehrus and the Ghandis, Can Pakistan Survive? e
Streetfighting Years. Seu primeiro romance,
Redemption, foi publicado em 1990. Sombras da
romãzeira recebeu o Prêmio Arcebispo San Clemente
do Instituto Rosalia de Castro como melhor livro estrangeiro publicado
na Espanha em 1994.
"O resultado é um livro
cativante, divertido, encantador." — The Times
"Contada de forma cativante, com um ritmo
brilhante, notavelmente convincente na sua descrição de
um relacionamento fatal, essa é uma história para o
nosso tempo, assombrado por acontecimentos e personagens que
estão mais próximos de nós do que
imaginamos." — Edward W. Said