Numa noite do final de 1984, em Brasília, praticamente
eleito, Tancredo Neves, inquieto e preocupado, encontra-se
secretamente com o general Golbery do Couto e Silva, principal
articulador da candidatura Paulo Maluf, para, juntos, abortarem
astuciosa manobra destinada a zerar a disputa presidencial e
lançar candidatura única, provavelmente de um militar,
em nome da "união nacional".
No meio da
tarde do tenso dia 12 de outubro de 1977, em que Geisel demitiu o
ministro do Exército, general Sylvio Frota, um general esteve
com o presidente e logo depois entrou com tropa fortemente armada
em pleno prédio do Ministério do Exército, na
Esplanada dos Ministérios, e ocupou o Comando Militar do
Planalto.
São muitas as revelações de
HISTÓRIA INDISCRETA DA DITADURA E DA
ABERTURA — BRASIL: 1964-1985, de Ronaldo Costa Couto,
que a Editora Record lança nos próximos dias. O livro
lança luz sobre esse período de notável
efervescência da história do país, em grande
parte distorcido pelo próprio autoritarismo, pela disputa de
poder, pela censura à imprensa.
Escrito a partir de
tese de doutorado defendida na Sorbonne em novembro de 1997,
HISTÓRIA INDISCRETA DA DITADURA E DA
ABERTURA — BRASIL: 1964-1985 consumiu quatro anos de
trabalho. A palavra é dada a militares e civis, à
esquerda e à direita. São mais de 30 depoimentos
inéditos — dos presidentes Geisel, Figueiredo e Sarney a
prisioneiros políticos. O autor lança mão
também da historiografia básica do período,
com o objetivo de mostrar, analisar, explicar e documentar a
montagem e a desmontagem do regime militar de 1964-1985 da forma
mais isenta possível, numa visão de conjunto realista e
consistente. Com a palavra, o jornalista Elio Gaspari: "Até
agora esse período estava coberto por bons trabalhos
monográficos e muita memorialística. Faltava quem
juntasse as penas para fazer o cocar. Costa Couto conseguiu isso
num livro simples, até seco."
O livro inclui, em
notas de rodapé, grande número de histórias
pitorescas e também cômicas garimpadas pelo autor. Um
cuidadoso caderno iconográfico de 32 páginas
dá visão fotográfica do período. O
prefácio é da historiadora Katia Mattoso, da Sorbonne,
e a apresentação de Francisco Iglésias, professor
emérito da UFMG.
Ronaldo Costa Couto é
economista e historiador. Bacharel pela Faculdade de Ciências
Econômicas da UFMG (1966), cursou planejamento geral do
desenvolvimento no Instituto Latino-americano de
Planificação Econômica e Social — ILPES
(Organização das Nações Unidas, Santiago
do Chile, 1969). Fez doutorado em história pela Sorbonne
(1997). Começou a vida profissional como jornalista, em 1962.
De 1967 a 1974, lecionou teoria econômica e planejamento
econômico na UFMG e se dedicou a pesquisas e estudos de
interesse do setor público estadual de Minas Gerais.
Superintendente Geral do Desenvolvimento da Companhia Vale do
Rio Doce (1974-75-Rio de Janeiro); coordenador-geral da equipe de
planejamento da fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e
da Guanabara; secretário de Planejamento do estado do Rio
de Janeiro no governo Faria Lima (1975-79).
Secretário de Planejamento do estado de Minas Gerais e
presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (governo
Tancredo Neves). Ministro do Interior (1985-87), cargo que acumulou
com o de governador de Brasília no início de 1985. A
partir de abril de 1987, é ministro-chefe do Gabinete Civil da
Presidência da República (triênio 1987-89), cargo
que acumulou com o de ministro do Trabalho nos meses finais de
1988 e início de 1989. Autor de diversos textos
técnicos e do livro Tancredo vivo — casos e acaso,
publicado pela Editora Record, do Rio de Janeiro, em
1995.
"É a história do período
militar evocada, finalmente, com toda a sua pesada carga de drama e
de incertezas." — Bolívar Lamounier, cientista
político/USP e IDESP
"A melhor
narrativa da ditadura militar brasileira." — Elio Gaspari,
jornalista político
"O que há
aqui é a história do período, não a
indiscrição malsã que desperta sensacionalismo
pelo escândalo. (...) O novo livro de Ronaldo Costa Couto vai
ficar como obra de referência e sempre será consultado,
pela seriedade dada ao esclarecimento do período."
— Francisco Iglésias, historiador/UFMG
"O que este livro nos ensina, de forma luminosa, não
seria a idéia de que, no Brasil, a política ocupa um
espaço bastante reduzido?" — Katia Mattoso,
historiadora/Sorbonne