Sessenta anos de idade, 30 de carreira e muito sucesso. Para
comemorar tudo isso, Martinho da Vila está relançando,
pela Editora Record, KIZOMBAS, ANDANÇAS E
FESTANÇAS, sua autobiografia. Não se trata,
porém, de uma biografia como as que estamos acostumados a
ler. Nem de um livro de memórias. Sem qualquer
preocupação com ordem cronológica, Martinho
relembra passagens importantes de sua vida, valoriza momentos
inesquecíveis de sua escola de samba, a Unidos de Vila
Isabel, recorda as viagens à Angola de seus ancestrais e
rememora instantes empolgantes de sua carreira.
Martinho
da Vila vai mais além. Em KIZOMBAS, ANDANÇAS
E FESTANÇAS, o cantor e compositor, que assina alguns
dos maiores sucessos da música brasileira, faz um verdadeiro
manifesto anti-racista, no qual entram textos de lei, letras de
música e pequenas biografias de negros
revolucionários famosos. Há até um passeio
pela ficção, em um diálogo imaginário
entre os dois mais talentosos filhos do bairro boêmio da Zona
Norte carioca: Martinho e Noel Rosa.
Martinho
relembra sua infância em Duas Barras, a mudança para o
Morro dos Pretos Forros, no Rio, o período durante o qual
serviu o Exército (um sargento escrevente), seus amores, as
viagens, as bebedeiras e os parceiros em um livro importante
não apenas pelos relatos emocionados, mas também por
ser um libelo contra a opressão e o preconceito racial no Brasil e
no mundo.
Lançado originalmente em 1992,
KIZOMBAS, ANDANÇAS E FESTANÇAS
ganha uma nova edição, revista e ampliada, que marca
os 30 anos de carreira de um dos maiores nomes do samba.
Além de trechos inéditos de Martinho, o livro inclui
textos de Sérgio Cabral e Magnólia B.B. Nascimento,
além de ilustrações do artista Marcello
Gaú.