Em suas viagens pelo país, a pesquisadora e
filósofa Tania Zagury, mestra em educação, vem
mantendo um diálogo franco e aberto tanto com pais que a
procuram carregados de dúvidas a respeito de seu papel
diante dos filhos como com os próprios jovens. A profundidade
de suas pesquisas e estudos, em boa parte registrados em livros que
se tornaram referência, como O adolescente por ele
mesmo e Sem padecer no paraíso — ela é
procurada com freqüência pela imprensa para expor
opiniões sobre o tema —, apontam para um paradoxo: muitos pais
se vêem hoje diante do desafio de educar um
pré-adolescente que muito cedo começa a reivindicar
liberdade ou com um jovem adulto que, limitado pela
concorrência profissional do mundo globalizado, vê-se
obrigado a adiar a data de sua emancipação.
Para responder às perguntas que são
freqüentemente dirigidas a ela em palestras e encontros, Tania
Zagury as relacionou e sintetizou em ENCURTANDO A
ADOLESCÊNCIA, que a Record está colocando
nas livrarias. Em linguagem objetiva e não acadêmica, a
autora indica caminhos e propõe reflexões sobre a
educação de adolescentes.
Como enfrentar a
duração da adolescência de filhos que, aos 11
anos, começam a exigir seus direitos ou, aos 20, muitas vezes
ainda são totalmente dependentes da estrutura familiar? Este
novo adolescente, maturado de forma precoce e inconsistente pela
mídia, e aprisionado pelas exigências do novo mercado
de trabalho, transformou-se num desafio para pais e educadores:
é preciso conhecê-lo melhor e prepará-lo para a
sociedade.
A adolescência vem se tornando cada vez
mais longa. A Organização Mundial da Saúde
considera adolescentes jovens entre 10 e 20 anos; há pouco,
era o período compreendido entre 13 e 18 anos. Parece que
boa parte dos jovens insiste em não crescer, em não
assumir tarefas e responsabilidades que caracterizam a idade adulta.
Ao mesmo tempo, cresce a marginalização de jovens das
classes média e alta, o aumento do consumo de drogas, da
violência e do consumismo e o estabelecimento da cultura do
prazer e do lazer, que pretere toda espécie de
responsabilidade.
Em ENCURTANDO A
ADOLESCÊNCIA, Tania Zagury mostra que, acima de
tudo, a ação segura e firme dos pais é a forma
mais eficiente de conduzir os filhos a um destino produtivo,
saudável e feliz. Ressaltando a importância dos
aspectos sociais da educação antes dos
psicológicos, ela defende a abreviação do
período de adolescência como forma de estímulo
a que os jovens assumam responsavelmente as rédeas de seu
destino e de seu futuro. A autora mostra que este caminho
também produz nos pais o fortalecimento da auto-estima, a
superação do medo de errar e o fim da postura de
superproteção — fatores que, entre outros, levam à
eternização da adolescência dos filhos.