"Abro o armário. Urge escolher a máscara,
das muitas que tenho, para ir à rua. Com ela enfrentarei os
dissabores e as aventuras do meu cotidiano."
A
Editora Record vem ampliando seu catálogo com um
número expressivo de títulos de autores brasileiros.
Entre os livros que passaram a ter o selo da editora, destacam-se os
seis romances, a coleção de fragmentos e os três
volumes de contos de Nélida Piñon, editados no ano
passado. Agora, a Record publica mais um título da escritora:
ATÉ AMANHÃ, OUTRA VEZ reúne as
crônicas de Nélica publicadas na grande imprensa.
Nos textos, as reflexões e confidências da cronista
que, partindo de detalhes absolutamente banais, conduz o leitor por
caminhos inesperados. As crônicas reunidas formam um painel
de idéias, sentimentos e emoções em que
Nélida Piñon cola opiniões, retratos
familiares, confidências, comentários sobre o dia-a-dia,
viagens, dissabores, alegrias. Os temas são os mais diversos:
Bill Clinton, clones do futuro, B.B. King, o mito Kennedy,
Joãosinho Trinta, prazeres da mesa e cidades
européias, entre outros.
Nélida Piñon
nasceu em Vila Isabel, bairro da Zona Norte do Rio, no dia 3 de maio
de 1937. Por ser de uma família originária da
Galícia que há 70 anos vivia no Brasil, estudou por 13
anos na Espanha antes de cursar Jornalismo na Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. Colaborou em
vários jornais e revistas literários e foi correspondente
no Brasil da revista Mundo Nuevo assim como exerceu o
cargo de editora assistente de Cadernos Brasileiros.
Nélida publicou seu primeiro romance em 1961, Guia-mapa
de Gabriel Arcanjo. Durante os anos 60, lançou o volume
de contos Tempo das frutas e os romances Madeira feita
cruz e Fundador, com o qual ganhou o Prêmio
Walmap em 1969. Em 1970, Nélida inaugurou a cadeira de
Criação Literária na Faculdade de Letras da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1972, lançou A
casa da paixão, que recebeu o Prêmio Mário
de Andrade.
Nas últimas duas décadas,
Nélida Piñon dedicou-se à literatura e à
vida acadêmica. Atualmente leciona na Universidade de Miami.
Entre os prêmios recebidos ao longo desse mesmo
período, destacam-se o Prêmio Internacional Juan Rulfo
de Literatura Latino-Americana e do Caribe, em 1995; o Bienal
Nestlé, em 1991; o Golfinho de Ouro, em 1990; o Prêmio
José Geraldo Vieira, da União Brasileira de Escritores de
São Paulo, em 1987; e o da APCA e o Prêmio
Ficção Pen Clube, ambos em 1985. Recebeu
também medalhas e diplomas de várias
instituições nacionais e internacionais, como o Lazo
de Dama de Isabel la Católica, outorgado pelo rei Juan
Carlos da Espanha, em 1992.
Em 1990, Nélida
Piñon entrou para a Academia Brasileira de Letras, na cadeira
antes ocupada por Aurélio Buarque de Holanda. Em dezembro
de 1995, foi eleita secretária-geral da casa e, no ano seguinte,
tornou-se a primeira mulher a presidir a instituição. A
seguir, a lista dos títulos relançados pela Record em
1998: Tempo das frutas, Fundador, A casa da
paixão, Sala de armas, Tebas do meu
coração, A força do destino, O calor
das coisas, A república dos sonhos, A doce
canção de Caetana e O pão de cada
dia.