Em A CABEÇA NO FUNDO DO ENTULHO, o escritor
Fernando Monteiro nos dá a mais bem acabada
lição de liberdade criadora na atual ficção
brasileira. São três novelas com sentido profundo, escritas
com elegância notável e um intrigante tecido narrativo.
Monteiro, cineasta de ofício, tem o mérito de
conseguir uma perfeita e original transposição da
linguagem cinematográfica para este livro, inventando uma
linguagem que consegue ser nova sem ser experimental. Não
se deve, portanto, iniciar a leitura de A CABEÇA NO FUNDO
DO ENTULHO sem estar preparado para perceber as
múltiplas intenções do autor e seus
vínculos com o imaginário da sétima arte.
Os espaços da trama — centrada na decadente Roma,
desconhecida dos turistas — vão sendo apresentados sob a
ótica de uma câmera de cinema, ora em grandes
tomadas, ora em zooms detalhistas. "As personagens do livro
são criaturas que, merecem do autor infinita compreensão,
sendo tratadas com grandeza mas sem solenidade", define o
crítico literário Wagner Carelli.
Fernando
Monteiro, cineasta, poeta e ficcionista, nasceu em Pernambuco, em
1949, formou-se em Sociologia e estudou Comunicação
em Roma. Ano passado, estreou na ficção com a
publicação, em Portugal, de Aspades, ET`s, Etc,
recebido com entusiasmo pela crítica lusitana e,
recentemente, pela imprensa brasileira. Obteve diversos prêmios
nacionais: da Academia Pernambucana de Letras, em 1975, com a
peça teatral O rei póstumo, e da União Brasileira
de Escritores, em 1983, com o livro de poesias Ecométrica.
Seu ensaio sobre a obra de Brennand foi premiado pelo Instituto
Nacional do Livro. Filmes seus, de curta metragem, foram indicados
para representar o Brasil oficialmente em mostras internacionais no
México e na Polônia e receberam prêmios nos
festivais de Brasília, Bahia e Rio de Janeiro.
"Uma
das melhores novidades da literatura brasileira " — Revista Bravo
"Versátil e audaciosa do ponto de vista
estético, a obra de FERNANDO MONTEIRO põe
à prova, com original maestria, um processo de
cenarização, raro em literatura, pelo qual faz abolir as
fronteiras — conforme assinala George Steiner — entre as 'zonas
interiores e exteriores' do sentimento da realidade." — Canal - Revista
Ibérica de Literatura, Sevilha