Zélia Gattai já viajou pelo mundo afora, morou em
terras distantes, conhece Deus e o mundo. Aqueles que já
conversaram com ela sabem muito bem que uma prosa com
Zélia sempre acaba numa volta pelos quatro cantos da Terra,
e este pacote de viagem inclui encontros com as
personalidades mais interessantes que já conviveram com o
casal Amado. Mas tantos relatos, empreitadas e odisséias
têm uma estação final comum: uma casa na rua
Alagoinhas, bem no alto de uma ladeira, no bairro do Rio
Vermelho.
Pelo portão do endereço mais famoso
de Salvador, com motivos de pássaros e frutas, criado pelo
amigo Carybé, passou meio mundo: o moleque da quitanda,
intelectuais europeus, cantores de sucesso, quituteiras, cineastas,
mães-de-santo, políticos... Se a casa não pode
falar de tudo que já testemunhou, ganhou a mais adequada
porta-voz em A CASA DO RIO VERMELHO, novo livro de
Zélia Gattai.
Reminiscências, encontros,
conversas, saudades. Pelo relato saborosamente nostálgico
do livro passa um rol de figuras singulares, fascinantes e, não
raro, surpreendentes. Antônio Carlos Magalhães, Pablo
Neruda, Sônia Braga, Moacir Werneck de Castro, Antonio
Olinto, Dorival Caymmi, João Ubaldo Ribeiro e muitos outros
hóspedes ilustres — alguns nem tão famosos, mas ilustres,
sim, senhor.
Para Zélia e Jorge Amado, A CASA
DO RIO VERMELHO é o porto seguro depois das
grandes jornadas. A própria aquisição do
imóvel rende uma boa história: Jorge Amado
"vendera à Metro Goldwin Mayer os direitos autorais de
seu romance Gabriela, cravo e canela. Não recebera o
dinheirão que se poderia imaginar, mas lhe pagaram o suficiente
para adquirir uma casa na Bahia. ‘Comprarei essa casa com o dinheiro
do imperialismo americano’, dizia, rindo." Para aqueles que
já passaram pelo portão de Carybé, a leitura de
A CASA DO RIO VERMELHO trará boas
recordações. Para os novos convidados, momentos
extremamente agradáveis e muita história pra
guardar.
A fama de contadora de histórias que
acompanha Zélia Gattai começou bem cedo, ainda
menina. Mas foi só há 20 anos que ela tomou coragem
e decidiu dividir suas observações e aprendizagens com
o público. Lançou seu primeiro livro, Anarquistas,
graças a Deus, a história de sua infância
como filha de imigrantes italianos, anarquistas e católicos, que
escolheram a cidade de São Paulo para se estabelecer. O livro
foi um sucesso, virou série de televisão e continua tendo
sucessivas reedições.
Dada a partida,
Zélia tomou gosto e não parou mais. Escreveu livros
para as crianças e uma série de relatos sobre suas
viagens, seus amigos, sua família, a Segunda Guerra, a
Europa dos exilados, a queda de Getúlio, escritores, artistas.
Ela é autora de Crônicas de uma namorada,
Senhora dona do baile, Chão de meninos e
Pipistrelo das mil cores, entre outros títulos.