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Pedro e Paula
Helder Macedo
Romance   240 páginas
Formato: 14 x 21cm
ISBN: 8501055786

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Helder Macedo passou a maior parte de sua infância em Lourenço Marques, Moçambique. Freqüentou a Faculdade de Direito em Lisboa e acabou, por motivos políticos, tomando o caminho do exílio durante a ditadura. Foi para Londres. Após o 25 de abril, um retorno temporário a Portugal e, novamente, a decisão de morar no exterior, mais precisamente na Inglaterra. A troca de espaços geográficos, o contato com culturas tão diametralmente opostas se refletem na visão crítica e universal do seu discurso literário, livre da lógica estabelecida dentro das fronteiras.

O professor de literatura, diretor do departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros no King’s College — que, entre seus mestres, destaca Stendhal, Fielding e Machado de Assis —, agrega o exercício literário acadêmico no seu mais refinado sentido à sua obra de ficção. Nela, além da trama sentimental, dos fatos históricos, surgem outras trilhas já percorridas por Camões, Pessoa, Garrett e outros escritores consagrados.

Por algumas décadas, o Helder Macedo romancista permaneceu em estado latente. Aos 20 anos, ele estreou na poesia, aos 40, no ensaio, e somente aos 55, na ficção. O primeiro passo, no ano de 1981, foi Partes de África, uma biografia feita com fragmentos de memória que se fundem, sem demarcação de limites, com personagens e fatos do imaginário do autor. A resposta da crítica foi a mais positiva possível.

Sete anos depois, o segundo romance: PEDRO E PAULA, a história de um casal de gêmeos, antagônicos e complementares. Nascidos em 1945 (quando "toda a gente foi para a rua celebrar com bandeiras inglesas, francesas, americanas e do Benfica" o fim do conflito mundial), os irmãos tornam-se observadores e participantes das mudanças sócio-político-culturais de seu país. Os irmãos são aparentados com outro par: Sigmund e Sieglind, que, por sua paixão, são punidos pelo traído Hunding, o poder terreno, e por Wotan, o senhor do Walhall.

Para o leitor desatento, a trama é linear como o enredo de Casablanca que, intencionalmente, aparece nas primeiras páginas do livro. Fim de guerra, uma desilusão amorosa, um casamento frustrado, filhos. O paradigma romântico inicial acaba se aproximando da tragédia grega e, como nas peças atenienses, as intenções das metáforas e do simbolismo dos fatos não são percebidos à primeira vista. São necessárias imersões mais profundas para perceber a inter-relação de indivíduo e coletividade.

Neste romance, Helder Macedo percorre meio século da vida portuguesa, tendo Lisboa, Londres e Lourenço Marques colonial como cenário de fundo. A narrativa é polifônica, rítmica, mas também usa jogos intertextuais. No fim de PEDRO E PAULA, o narrador, rendido, abre mão da onisciência e se transforma em personagem.




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