Em 1842, nas margens da Lagoa do Sumidouro, em Minas Gerais,
enquanto explorava a região à procura de
fósseis de animais, Peter Wilhelm Lund encontrou ossadas
humanas com mais de 20 mil anos de idade. A descobertda do
"homem de Lagoa Santa", como ficou conhecido na
época, provocou celeuma no mundo científico. O
naturalista, um dinamarquês radicado no Brasil, entrou para a
história como o pai da paleontologia brasileira.
Mas,
além destes fatos bastante conhecidos, o que mais se sabe
sobre a vida de Lund? Por que um cientista de renome internacional
abandonaria as pesquisas dois anos depois de sua mais importante
descoberta? Por que teria escolhido viver em Lagoa Santa até
sua morte, em 1880, aos 79 anos? Henrik Stangerup oferece algumas
respostas em NA TRILHA DE LAGOA SANTA, resultado de
minuciosas pesquisas, sobretudo nas cartas escritas pelo cientista
à própria família e a figuras representativas da
sociedade científica. O livro traça um painel do que foi a
vida de Lund, realizando com sucesso uma tarefa praticamente
impossível: transformar uma biografia em romance, sem perder
o melhor do que cada gênero oferece.
NA TRILHA
DE LAGOA SANTA revela um homem que se viu tomado por
uma profunda depressão ao constatar que suas descobertas
científicas contrariavam sua fé protestante e
positivista. É a história de um conflito, da busca por
identidade, na qual o homem e o cientista estão costurados um
no outro. E é essa figura dicotômica — e tão
importante para o Brasil — que Stangerup restitui neste livro.
Jornalista, cineasta e escritor, Henrik Stangerup nasceu em 1937
em Copenhague. Filho de uma ilustre linhagem de artistas, é
um dos escritores mais lidos e traduzidos da Dinamarca. Entre suas
obras destacam-se Slangen i Brystet (A serpente no
peito), Lögn over lögn (Mentira sobre
mentira) e O homem que queria ser culpado. Stangerup
era um aficionado pelo Brasil, país que visitou mais de dez
vezes, e com o qual desenvolveu uma relação
obsessiva, principalmente depois da filmagem de Erasmus
Montanus, em 1976, em Porto Seguro. Stangerup morreu em
1998.
"Um romance de grande qualidade, que
revive a magia dos relatos de exploração do
século XIX e no qual algumas das questões
fundamentais sobre a condição do homem ocidental
são abordadas." — El País
"Na trilha de Lagoa Santa é uma narrativa
da luta contínua que travam a inteligência e a natureza,
a necessidade de compreender e a força de existir." —
Le Monde