Em uma alquimia de palavras e estilos, Marco
Lucchesi coloca lado a lado os mais díspares personagens,
numa trama que tem o deserto como protagonista. Assim é
OS OLHOS DO DESERTO: narrativa,
confissão, poesia e ensaio. O novo livro de Marco Lucchesi
confirma a tendência do autor em desconstruir a estrutura do
texto, de ‘enganar as palavras’. Hábito nascido de sua
familiaridade com duas línguas — a materna italiana e o
português natal.
O deserto descrito
por Lucchesi em seu mais recente livro é mais que um
espaço geográfico. É o vazio interior, rico ou
árido, dependendo da época, das pessoas
encontradas, das interações. É nossa
herança, nossa busca. Um lugar mítico, no qual o leitor
precisará não de bússolas ou folhas
cartográficas, mas sim de sua intuição. A primeira
impressão é verdadeira e única, e não
deve ser descartada pelos que querem encontrar o caminho.
"Essas paragens não conhecem o meio-termo. Matam
ou redimem", a advertência está em
OS OLHOS DO DESERTO. E
não deve ser ignorada.
Dono de
profunda precisão verbal, Lucchesi não é um
autor qualquer. Seu texto foge da simplicidade, mas se
mantém aberto à criação. O resultado
é uma mistura de prosa e poesia, numa linguagem que exige
atenção do leitor. Mas o que pode parecer
pretensão é, na verdade, humildade. A homenagem
prestada por um autor que, antes de mais nada, não subestima
a capacidade de seu leitor.
Marco
Lucchesi fala e traduz italiano, alemão, russo, francês,
espanhol e inglês, grego e latim. É autor de
vários livros, entre eles Faces da utopia,
Leopardi, A paixão do infinito, Poemas
à noite e O sorriso do caos, Bizâncio.
Os dois últimos publicados pela Editora Record. Apesar de se
afirmar apaixonado pela literatura brasileira, não abandona suas
raízes italianas: domina também a literatura
européia. É professor de Literatura Comparada da
UFRJ, membro do Pen Club do Brasil e da Sociedade Brasileira de
Geografia.
"Marco Lucchesi é o leitor
necessário, o leitor plural." — Zero Hora
"Lucchesi é um sábio
renascentista." — Jornal do Brasil