O rei da Judéia, Herodes Agripa I,
sabendo que seu reinado e poder estavam ameaçados pelo
Messias que acabara de nascer, ordenou que todos os meninos
recém-nascidos fossem mortos. Maria e José, para
salvar a vida de Jesus, decidiram fugir para o Egito. Assim surgiu a
Rota da Sagrada Família, que a arqueóloga Fernanda
de Camargo-Moro percorreu por terra no final de 1999. Dessa
aventura nasceu o livro NOS PASSOS DA SAGRADA
FAMÍLIA — UM OUTRO EGITO, onde a autora conta
como foi sua busca pelo verdadeiro itinerário da família
de Jesus e suas observações e impressões sobre
um outro Egito que descobriu.
Sem
nenhuma espécie de patrocínio ou apoio oficial e
sempre por terra, Fernanda viajou — de mochila nas costas e apenas
na companhia de uma amiga — desde a palestina Faixa de Gaza
até o local da segunda aparição do Anjo Gabriel
no Alto Egito, quando Maria e José são avisados que
já poderiam retornar para sua terra.
Fernanda de Camargo-Moro fez questão de
percorrer a rota antes de ela ser oficializada, para que o
caráter antropólogico de sua viagem não se
perdesse em meio a guias e souvenirs. Começou sua viagem a
partir de Belém, cruzou o Monte Sinai
pelo Norte e pelo Sul, conheceu o Delta do Rio
Nilo, avançou pelo seu vale e visitou os monastérios do
deserto de Scetis. Sempre recolhendo histórias e depoimentos
dos camponeses, ribeirinhos e populares com quem conversava pelo
caminho, Fernanda também foi até a cidade do Cairo,
onde conheceu o antigo bairro copta (dos cristãos
egípcios), com suas velhas igrejas e locais onde viveram
Maria, José e Jesus, além da árvore milagrosa
de Mataria e dos monumentos construídos pelo coptas para
cultuar o itinerário da fuga.
No
ano em que se comemoram 2.000 anos de Cristianismo e o Jubileu de
Jesus, o governo palestino está restaurando a cidade natal de
Jesus, Belém, e o governo egípcio instituiu a Rota
Sagrada como itinerário turístico oficial, fato que
há um ano atrás seria impensável, devido
à delicada situação política da
região e aos constantes conflitos étnicos. Em Paris, um
dos mais importantes museus da atualidade, o Instituto do Mundo
Árabe, abriga a exposição "Arte Copta no
Egito — 2000 anos de cristianismo" e no Brasil a Editora Record
lança NOS PASSOS DA SAGRADA FAMÍLIA — UM
OUTRO EGITO, livro que desvenda a rota de fuga de Maria,
José e Jesus.
Fernanda de
Camargo-Moro nasceu no Rio de Janeiro em 1933. Historiadora,
arqueóloga e museóloga, tem doutorado em
arqueologia e pós-doutorado em arqueologia ambiental, tendo
se especializado no estudo de rotas, com seu campo de trabalho
estendendo-se do Mediterrâneo Oriental à Ásia.
Foi professora titular da cadeira de
Arqueologia da então Faculdade de Museologia do Museu
Histórico Nacional, presidente do Conselho Municipal de
Patrimônio do Município do Rio de Janeiro, presidente do
Comitê Internacional de Arqueologia e História, membro
eleito do Conselho de Direção Executiva do Conselho
Internacional de Museus, com sede em Paris, e do Conselho Editorial
da Revista Museum da UNESCO, além de presidente da
Fundação Estadual de Museus, sendo hoje diretora geral
de Mouseion. Fernanda vem trabalhando como consultora junto ao
Projeto Nações Unidas e acumula a direção
científica do Projeto Himalaias e do Projeto Rotas do
Oriente.
"Depois de Santiago de Compostela, os
peregrinos de plantão já têm uma nova rota
mística para cumprir (e depois emplacar best-sellers)."
— Revista Domingo