Mino Carta é uma figura ímpar no jornalismo
brasileiro. Fundador e diretor de redação de alguns dos
mais importantes veículos de nossa imprensa, como o
Jornal da Tarde e as revistas Veja e
IstoÉ, ele esteve no olho do furacão durante a
época mais sombria — e perigosa — da história recente
do país, convivendo direta e diariamente tanto com os mais
poderosos barões da imprensa quanto com presidentes,
governadores, generais e ministros. E é esta proximidade do
poder a matéria-prima de O CASTELO DE
ÂMBAR, uma sátira em forma de romance que
chega agora às livrarias.
A história
começa com uma grande caixa — contendo documentos,
manuscritos, textos diversos, até mesmo um inusitado conto —
que, certo dia, um advogado recebeu da secretária de um
jornalista há pouco falecido. Nos escritos, o relato de uma vida
de lutas, algumas vencidas, outras perdidas, meio século da
vida de um país, histórias de seus governantes,
jornalistas e empresários da imprensa.
Com um texto
refinado e culto, ora comovido, noutros momentos irado, Carta, cuja
carreira se confunde com a trajetória da moderna imprensa
brasileira, "inventa" as memórias do imigrante
italiano, sua formação, as circunstâncias de sua
atuação profissional. Ao longo de cinco décadas,
desfilam episódios sociais e políticos de um
país alternadamente atirado do medo ao êxtase, da
frustração à esperança, da liberdade a um
violento regime autoritário que persegue, mata e censura. E a
luta desse imigrante feito jornalista contra o governo que o censura
com a conivência de seus próprios patrões,
persegue e mata seus amigos com o apoio de seus patrões,
barões da imprensa arrogantes, medíocres,
frívolos e covardes. E sua luta para se manter íntegro e
reconquistar o direito ao seu castelo de âmbar, memória
terna e encantadora da infância.
Genovês,
nascido em uma data incerta entre 6 de setembro de 1933 e 6 de
fevereiro de 1934, Mino Carta começou no jornalismo em 1950,
cobrindo a Copa do Mundo como correspondente do jornal Il
Messaggero, de Roma. Em seguida, colaborou de 1951 a 1955
com a revista Anhembi, fundada e dirigida por Paulo
Duarte, e foi redator da agência Ansa em São Paulo.
Mudou-se para a Itália em
1957, trabalhando como redator dos jornais La
Gazzetta del Popolo, de Turim, e Il Messaggero e como
correspondente do Diário de Notícias do Rio e
da revista Mundo Ilustrado.
Voltou em 1960 para o
Brasil, onde fundou e foi diretor de redação da revista
Quatro Rodas. Também fundou e dirigiu a
edição de esportes de O Estado de S. Paulo
(1964/1965), o Jornal da Tarde (1966/1968), a revista
Veja (1968/1976), a revista IstoÉ (1976/1981)
e o Jornal da República (1979/1980). Foi diretor de
redação da revista Senhor de 1982 a 1988 e da
revista IstoÉ de 1988 a 1993, quando saiu para fundar
a revista Carta Capital.
Paralelamente, desenvolve
uma carreira de pintor, iniciada em 1956 em uma coletiva da paisagem
brasileira da qual participaram 20 pintores, entre eles Portinari,
Pancetti, Tarsila, Rebolo e Di Cavalcanti. Dentre as mais de vinte
exposições individuais, estão a primeira, em 1957,
na galeria Cairola de Milão, uma em Londres, em 1993, outra em
Antuérpia em 1995 e três no Museu de Arte de
São Paulo, a última delas uma retrospectiva de 40 anos
de carreira em 1994.