O afilhado de Gabo
Armando Avena
Romance 240 páginas
Formato: 14 x 21cm
Depois disso, passou a dividir suas madrugadas com Allan Poe, Lovecraft, Hoffmann e Stevenson. Mas, vinte anos depois, resolveu voltar à história do Conde Drácula e descobriu Renfield - um personagem tão fantástico e surpreendente quanto o principal.
Renfield reivindicou o papel de protagonista, aceitou dividir a cena com um personagem completamente novo e admitiu até a mudança de nome. Só exigiu manter a essência e as características de um ser fantástico. Assim, convenceu Armando Avena a voltar aos desejos da juventude. O resultado é O afilhado de Gabo, a história de Otto H. F., que poderia ter sido a de Renfield.
Otto H. F. é um adepto da zoofagia que é acompanhado pelo misterioso Dr. Gabriel Macondo, apelidado de Gabo, e pelo especialista francês Marcel Camus. Referências que dispensam maiores explicações, já que o livro é uma homenagem explícita ao realismo fantástico e aos seus principais autores, que passeiam pela história com desenvoltura.
Imagine um vampiro circulando pelas ruas nos dias de hoje. Não um vampiro de Anne Rice, que atravessa séculos conquistando discípulos. Mas um vampiro analisado segundo as teorias de Freud e que, em uma só vida, quer absorver todas as vidas que puder.
Criado por Gabo, psiquiatra que vive como um Dr. Moreau em sua ilha/manicômio pesquisando a "cura da loucura e da morte", Otto empreende uma busca insana da imortalidade. Sua fisionomia, que alterna entre angelical e uma terrível careta de ódio, desperta antipatia e asco. Ele tem uma força descomunal e, apesar de momentos de extrema doçura, é capaz de cometer atrocidades. Cita Shakespeare e teorias psicanalíticas com a maior desenvoltura.
Este é Otto H. F., o afilhado de Gabo. O Renfield que fez Armando Avena retornar aos personagens fantásticos em seu romance de estréia. Um livro cujo final o leitor das histórias de vampiros já conhece de cor, mas continua a ler avidamente.
Armando Avena, baiano, é professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia e colunista do jornal A Tarde. Além de contos e artigos publicados em jornais e revistas literárias, tem dois livros inéditos: o infantil A menina que perdeu o nariz e os contos de A vingança da prostituta japonesa.
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