João Ubaldo Ribeiro
Um estilo da sedução
Wilson Coutinho
Biografia 122 páginas
Coleção Perfis do Rio
Secretaria Municipal de Cultura e Relume Dumará
13 x 21cm
Escrever é para mim uma compulsão tão grande que, se não ceder a ela,
não preservo a minha sanidade.
João Ubaldo Ribeiro
Verão de 41 em Itaparica. Os turistas abanam-se nas portas dos hotéis, crianças brincam na praia e os homens, esquecidos dos negócios, perambulam pelas ruas estreitas com seus ternos de panamá branco e o jornal na mão. As notícias não eram muito agradáveis: o Eixo Berlim-Roma dominava as manchetes. A marinha britânica capturava o navio francês Mendonza que navegava em águas territoriais brasileiras. Podia-se olhar a Ilha do Medo, em frente à praia, e pensar se submarinos alemães iriam desembarcar ali. Mas, na casa dos Ribeiro, a alegria era imensa. Era 23 de janeiro e nascia um menino. "Mais um João que poderia correr livre nas areias de Itaparica".
Mas esse João, chamado por Glauber Rocha de "Hemingway da Bahia", foi seduzido pelo Rio de Janeiro e hoje se auto-intitula, orgulhoso, cidadão leblonense. Antes de cair na "malha médica", João Ubaldo podia ser visto na antiga Plataforma ou, aos sábados, na Cobal, com sua turma do bar Arataca. Mas, após a arritmia cardíaca que sofreu em 94, seu território diminuiu bastante e hoje ocupa menos que um quarteirão, indo do restaurante Flor do Leblon à rua José Linhares passando, é claro, pelo bar Bracarense. As únicas variações são as idas à Academia Brasileira de Letras (é "imortal" desde junho de 94) e visitas aos amigos de Ipanema.
João Ubaldo fala um inglês natural, cristalino e teve uma educação formal rígida. Na infância, chegava a ler dois ou três livros em um dia, sem parar para comer nem dormir. Modesto, se esforça para economizar sua famosa erudição. Sua outra vocação, não muito conhecida, é a imitação. "Incorpora" Frank Sinatra, o ator Richard Burton, Cauby Peixoto em Conceição, Antônio Carlos Magalhães e Dorival Caymmi. Mas a unanimidade entre seus amigos é Louis Armstrong.
Neste perfil, Wilson Coutinho apresenta "um escritor sensível, de um humanismo de fazer chorar diante da miséria" e comenta os problemas com álcool, a paixão pelo futebol e as especialidades culinárias de João Ubaldo. Além disso, dá um roteiro "ubaldiano" para um dia em Itaparica, apresenta análises, pelo próprio escritor, de todas as suas obras publicadas e reproduz a polêmica crônica sobre a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Wilson Coutinho, carioca, é jornalista, crítico de arte e mestre em Filosofia pela Universidade Católica de Louvain, Bélgica. Trabalhou nos jornais Opinião, Jornal do Brasil, onde editou o Caderno Idéias, O Globo, onde foi crítico de arte, Folha de São Paulo e Tribuna de Imprensa e nas revistas Veja e Arte Hoje. Foi curador e diretor do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e, em 69, ganhou o Concurso Esso de Literatura. É idealizador e organizador das coleções Perfis do Rio, Arenas do Rio e Cantos do Rio, da Secretaria Municipal de Cultura, e edita o jornal Rio Artes.
Maiores informações com Bárbara Anaissi ou Edmo Suassuna no tel./fax (021)564-6869. E-mail: relume@ism.com.br