Hélio Pellegrino
A paixão indignada
Paulo Roberto Pires
Biografia 122 páginas
Coleção Perfis do Rio
Secretaria Municipal de Cultura e Relume Dumará
13 x 21cm
Reabrindo a coleção Perfis do Rio, Hélio Pellegrino também reaparece para os seus admiradores - e são muitos - dez anos após a sua morte, em março de 1988, e 30 anos após a sua destacada participação nos acontecimentos que o projetaram como figura pública, o ano de 1968.
Indignado, mas amoroso; revoltado, mas reflexivo; tímido, mas ruidoso; carrancudo, mas dono de um humor extremo; talvez o primeiro cristão marxista do Brasil; calado muitas vezes, mas autor de frases inesquecíveis ("Eu sou mineiro apostólico romano", "O casamento feliz é uma penitenciária de cinco estrelas"), Hélio fez da sua vida um ato apaixonado pelo outro. Foi um ser larger than life, maior do que a própria vida, como mostra o jornalista Paulo Roberto Pires: "O que se segue é uma crônica, dentre muitas outras possíveis e certamente ainda por se escrever, dos encontros marcados de Hélio Pellegrino com os amores, a psicanálise, a política, a poesia, a revolta, a indignação, a paixão. Com Deus, acrescentaria ele".
Tendo formado com Otto Lara Resende, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos um quarteto dos mineiros mais cariocas de que se tem notícia, Hélio viveu 36 anos no Rio de Janeiro. Nesta cidade onde teve os seus três casamentos e deixou uma vasta ninhada de filhos, Hélio foi um psicanalista de grandes embates institucionais, colunista destemido em tempos de censura, prisioneiro político durante a ditadura, fundador e ativista do PT até quando a militância política não foi uma coisa chata, e amigo, muito amigo mesmo dos seus muitos amigos. Quando fez 60 anos confessou: "Investi na amizade, no capital erótico, não me arrependo. A salvação está em você se dar, se aplicar aos outros... É preciso vencer esse encaramujamento narcísico, essa tendência à uteração, ao suicídio".
A leitura deste livro deixa uma certeza: Hélio Pellegrino, o homem indignado, está fazendo muita falta nos dias que correm.
Paulo Roberto Pires, a exemplo de outros jornalistas como Joaquim Ferreira dos Santos (Antônio Maria) e João Máximo (João Saldanha), desponta na coleção Perfis do Rio como mais um habilidoso escritor. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1967. É jornalista, professor da Escola de Comunicação da UFRJ e tradutor. Escreve sobre literatura no jornal O Globo e organizou a terceira edição, revista e ampliada, da obra de Torquato Neto.
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