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Bondfaro
Otto Lara Resende
A poeira da glória
Benicio Medeiros
Biografia   122 páginas
Coleção Perfis do Rio
Secretaria Municipal de Cultura e Relume Dumará
13 x 21cm


Poucos homens tiveram unanimidade e respeito como ele; poucos tiveram tantos amigos em lugares e partidos tão opostos; outros jamais puderam gozar do privilégio de remendar seus superiores sem o risco de reprimendas; talvez nenhum outro tenha conseguido contestar no editorial de um vespertino o editorial que ele próprio fizera em outro matutino; ou, a pedido do governador Magalhães Pinto, escrever uma carta para o presidente João Goulart e, a pedido de um ministro de Jango, responder a carta para Magalhães Pinto... Poucos homens foram tão famosos entre os homens famosos - objeto de histórias falsas e verdadeiras dependendo da versão - e tão enigmático para o grande público. Nenhum outro, com certeza, conseguiu a proeza de virar título de uma peça teatral, Bonitinha mas ordinária ou Otto Lara Resende, só porque o autor, Nelson Rodrigues, resolveu prestar-lhe uma idiossincrática homenagem.

Autor e personagem de muitas histórias, criador de frases brilhantes, católico e mineiro, foi no Rio que Otto Lara viveu a maior parte da sua vida, exercendo suas atividades jornalísticas e escrevendo e reescrevendo os poucos livros que compõem uma obra literária marcada pela busca da perfeição. Contudo, até o final da sua vida, interrompida brusca e bobamente por uma cirurgia mal sucedida, Otto jamais soube dizer para si mesmo qual era a sua profissão, deixando-se tomar muitas vezes por duras crises existenciais. Todos esses ingredientes juntaram-se e contribuíram para fazer de Otto um homem cético e inesperado, resultando desse quadro uma coleção de frases que ficaram famosas. Benicio Medeiros soube contar a vida deste homem complexo e, além disso, reuniu no final do livro 50 de suas melhores frases. Estas são algumas delas:

A Europa é uma burrice aparelhada de museus.

Abraço e punhalada a gente só dá em quem está perto.

O mineiro só é solidário no câncer.

Minas está onde sempre esteve (ao redigir para o governador Magalhães Pinto, durante a crise provocada pela renúncia de Jânio Quadros, em 1961).

Benicio Medeiros, jornalista, nasceu em Niterói - RJ, em 1947. Estreou na imprensa em 1970 como repórter do jornal Última Hora. Trabalhou no Jornal do Brasil, no Estado de São Paulo, nas revistas Veja e Isto É e na TV Globo. Atualmente, é redator-chefe da revista Manchete e participa do conselho editorial da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Maiores informações com Bárbara Anaissi ou Edmo Suassuna no tel./fax (021)564-6869. E-mail: relume@ism.com.br


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